Portanto, o Ministério Público de Mato Grosso denuncia Maike Koseki de Capua por integrar uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e, ainda, por atuar na movimentação financeira do grupo, usando empresas para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos de forma ilícita.
Ainda assim, a denúncia, com base na Operação Integrate, descreve uma atuação entre 2024 e fevereiro de 2026, principalmente nas regiões do Residencial Nilce Paes Barreto, Tijucal e Pedra 90, em Cuiabá.
movimentação financeira no caso Integrate
Conforme a denúncia apresentada pelo Gaeco, Maike integrava o núcleo financeiro do grupo, ao lado de Jobson Batista de Morais e Caique Rodrigues Oliveira.
A função do trio, segundo a investigação, era movimentar, ocultar e redistribuir o dinheiro do tráfico por meio da abertura e utilização de empresas registradas em nome próprio ou de terceiros.
Entre as empresas citadas, segundo a apuração, estariam a FT Industrial de Joias Ltda., Quality Serviços de Terceirização Ltda. e LK Cuiabá Ltda., as quais apresentavam movimentações incompatíveis com as atividades econômicas declaradas e indícios de operações em benefício de terceiros. Fraudes nos consignados afetam crédito consignado e PF
As investigações também apontam que os integrantes fragmentavam valores e realizavam transferências sucessivas entre diversas contas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro e esconder os verdadeiros beneficiários.
Relatórios de inteligência financeira identificaram uma movimentação global de aproximadamente R$ 10,8 milhões envolvendo investigados, empresas e pessoas interpostas utilizadas para ocultar a origem dos recursos.
No caso específico de Maike, a movimentação financeira foi considerada incompatível com a capacidade econômica declarada.
Os dados reunidos pela Polícia Civil mostram créditos de R$ 10.843.304,48 e débitos de R$ 10.739.054,44 em suas contas, representando uma discrepância superior a 1.595% em relação aos rendimentos declarados, com cerca de 94% das movimentações sem lastro fiscal identificado.
A investigação também afirma que não foram encontrados fundamentos econômicos ou legais capazes de justificar o volume financeiro, razão pela qual foi proposta a comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Além disso, Maike utilizava a empresa M. Koseki de Capua Atacadista de Máquinas e Equipamentos como parte da estrutura financeira investigada, com elevado volume de movimentações sem correspondência fiscal entre 2020 e 2025.
A empresa permaneceu com movimentações mesmo após ser desativada, registrando operações superiores a R$ 10 milhões sem suporte contábil, o que leva a crer em fachada para ocultação de patrimônio.
Em interrogatório, Maike negou participação em atividades criminosas, afirmando conhecer Jobson há cerca de 15 anos por amizade e negócios no ramo de joias e ouro e dizendo nunca ter ouvido referências ao tráfico.
Ele afirmou que todo o seu patrimônio tem origem lícita e é declarado, sustentando que emprestava dinheiro a Jobson mediante contratos formais em cartório e cobrando juros entre 4,5% e 5%.
Também declarou não possuir relação comercial com Lucas Matheus Pereira Fernandes, conhecido como “Lukinha” ou “Zóio Verde”, tendo apenas realizado uma transferência a pedido de Jobson para completar uma compra de ouro, podendo apresentar conversas e comprovantes.
Na avaliação da Polícia Civil, a atuação de Maike vai além da mera recepção de valores, havendo indícios de cooperação ativa para ocultação patrimonial, o que o vincula tanto à lavagem de dinheiro quanto à organização criminosa.
Negou irregularidades durante interrogatório, reiterando o tempo de 15 anos de convivência com Jobson e a origem lícita de seu patrimônio, além de sustentar que não possuía relação comercial com Lucas Pereira Fernandes.
Apesar da versão apresentada pela defesa, o Ministério Público denunciou Maike pelos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Conforme já divulgado pelo MídiaJur, Maike teve a prisão preventiva decretada em outra investigação, desta vez por perseguir e ameaçar um delegado da Denarc responsável pelas apurações sobre a organização criminosa e sobre a lavagem de dinheiro, bem como familiares do policial.
A decisão judicial aponta que as ameaças ocorreram justamente em razão das investigações conduzidas contra ele e outros integrantes da organização criminosa.
Na decisão, o juiz enfatizou que a liberdade do investigado representaria risco concreto à ordem pública e à instrução criminal, diante da persistência das condutas intimidatórias.
Desde a expedição do mandado, Maike é considerado foragido da Justiça. Em nota ao MídiaJur, o advogado de defesa, Lucas André Figueiredo, negou a intenção de fuga e afirmou que o objetivo é a apresentação em juízo de forma segura, mediante medidas adequadas.
Para leitura adicional sobre a operação Integrate e casos correlatos, acesse Portal 163.










