A pedagoga Márcia Amorim Pedr’Angelo, fundadora das escolas Toque de Mãe e do Colégio Unicus, defende que o legado de uma instituição de ensino não está no que fica registrado em sua história, mas no que o aluno leva consigo ao sair. A reflexão foi publicada em artigo assinado pela educadora.
Segundo ela, a escola começou em 2006, quando o nascimento do filho Mateus a colocou diante da pergunta sobre onde ele aprenderia a conviver com o mundo. Na época, não havia plano de negócios, apenas o desejo de cuidar, um nome pensado pelo marido, André, e uma pequena escola de Educação Infantil chamada Toque de Mãe.
“Herança é aquilo que recebemos de quem veio antes. Legado é aquilo que deixamos para quem vem depois”, escreve a pedagoga, ao distinguir os dois conceitos.
Educação como compromisso entre gerações
Márcia cita o relatório Reimaginar nossos futuros juntos, da Unesco, que propõe compreender a educação como um bem comum e um compromisso firmado entre gerações. Para ela, a ideia desloca o centro da escola: o que importa deixa de ser apenas o que o aluno aprende no bimestre e passa a ser quem ele será capaz de se tornar em vinte ou trinta anos.
A educadora afirma que quem educa trabalha necessariamente para um tempo que não verá por completo. Por isso, defende o que chama de coragem pedagógica: a disposição de fazer escolhas que nem sempre são as mais rápidas ou simples, porque seus resultados não aparecem no fim do ano, mas na vida adulta de quem passou pela escola.
Crescimento acompanhou as turmas
De acordo com o artigo, a escola cresceu porque as crianças cresciam. Quando a turma precisou seguir adiante, foi aberto o Ensino Fundamental. A educação bilíngue foi implantada em 2013, a partir da convicção de que uma segunda língua amplia o horizonte de quem aprende.
As missões em sistemas educacionais de países como Finlândia, Japão, Nova Zelândia e Canadá, iniciadas em 2014, ensinaram, segundo a autora, que boas práticas não se importam: elas se traduzem para a realidade de quem está em sala.
Márcia destaca ainda o papel dos professores. Ela afirma que outubro, mês em que se celebram as crianças e os educadores, é o momento justo para dizer que o legado de uma escola tem rosto. Investir em educação, escreve, é antes de tudo investir em quem faz a escola acontecer.
Foi com esse objetivo que a instituição transformou a formação permanente em um projeto próprio, o Unicus Academy. Os reconhecimentos recebidos no ano, o Great Place to Study e a certificação Apple Distinguished School, segundo ela, pertencem a toda a equipe, mas apenas registram de fora para dentro algo que alunos, famílias e professores já viviam no ambiente escolar.
Ensino Médio em 2027
O próximo capítulo já tem data. Em 2027, o Colégio Unicus recebe sua primeira turma de Ensino Médio, com dupla diplomação americana, e um novo prédio acolherá essa etapa. Pela primeira vez, uma criança poderá entrar ainda pequena e sair pronta para escolher em que lugar do mundo deseja continuar aprendendo.
“Vinte anos atrás, eu me perguntava onde meu filho iria aprender a conviver com o mundo. Hoje, essa pergunta pertence a centenas de famílias que confiaram a nós aquilo que têm de mais precioso”, escreve a fundadora.
Márcia Amorim Pedr’Angelo é pedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Colégio Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.









