Senador paralisa demarcações de terras indígenas em MT

Mapa de Mato Grosso destacando áreas onde demarcações de terras indígenas estão sendo paralisadas.
Senador Jayme Campos busca suspender processos de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso.
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O senador Jayme Campos (União Brasil) apresentou dois Projetos de Decreto Legislativo (PDL) que visam sustar os efeitos de portarias destinadas a retomar as demarcações de terras indígenas em Mato Grosso. As iniciativas buscam interromper estudos nas áreas Karajá e Apiaká.

Demarcações Terras Indígenas: Conflitos e Preocupações

Um dos projetos susta a Portaria Funai nº 425/2025, que retomava a análise da demarcação da terra indígena Karajá, em Santa Terezinha. Essa área, segundo o senador, abriga uma comunidade centenária, com propriedades e pousadas que impulsionam o turismo local, especialmente a pesca. A proposta do senador visa proteger essas comunidades estabelecidas há décadas.

O segundo projeto foca na terra indígena Apiaká, que se sobrepõe ao Parque Nacional do Juruena. Com mais de 982 mil hectares, a demarcação poderia gerar conflitos entre gestão ambiental e direitos indígenas, além de impactar negativamente atividades econômicas regionais. O parlamentar expressou que a ideia de novas reservas traz inquietação para famílias estabelecidas há décadas, gerando incerteza e insegurança. Ele enfatizou a dificuldade dessas famílias acompanharem o processo.

Campos baseou suas propostas na Lei nº 14.701/2023, que instituiu o marco temporal para demarcações. Conforme o senador, a ausência dos povos Karajá e Apiaká nas áreas reivindicadas em 5 de outubro de 1988 inviabilizaria, legalmente, a demarcação. Ele classificou como violação do ordenamento jurídico a retomada desses processos após a vigência do marco temporal. Assim, a ausência de indígenas nas áreas na data definida torna a demarcação inviável.

Comunidades afetadas pelas propostas de demarcação expressaram apreensão quanto à perda de propriedades e à inviabilização de negócios. Em Lagoa Grande, uma comunidade estabelecida desde 1910 em 5 mil hectares, que se desenvolve com agricultura e turismo, pode ser prejudicada. Campos argumentou que é precipitado avançar em demarcações nesse contexto, especialmente considerando os debates em curso no STF sobre o marco temporal. Os PDLs aguardam análise nas comissões do Senado para eventual aprovação e entrada em vigor.

Para mais informações sobre assuntos regionais, acesse a atuação da assembleia na proteção de produtores rurais em MT.

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