A política comercial dos Estados Unidos volta a movimentar o mercado internacional. O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, sinalizou que produtos agrícolas não cultivados em solo norte-americano, como café e cacau, podem ficar isentos de tarifas em futuros acordos. A fala ocorreu em entrevista à rede CNBC e reacende o debate sobre o impacto das tarifas para países exportadores de commodities.
Mudança na política de tarifas
Lutnick explicou que a nova abordagem segue uma linha semelhante à adotada durante o governo de Donald Trump, que já havia negociado a isenção de tarifas para produtos como manga e abacaxi em acordos com a Indonésia e a União Europeia.
“Se você cultiva algo que nós não cultivamos, isso pode custar zero”, declarou o secretário, indicando que café e cacau podem ter o mesmo tratamento.
Suco de laranja brasileiro: um cenário diferente
Apesar da perspectiva positiva para outros produtos, o suco de laranja brasileiro não compartilha do mesmo otimismo, mesmo com a dependência dos EUA em relação ao produto. A produção de suco de laranja nos Estados Unidos está em declínio, com uma previsão de queda de 27,9% na safra de 2025, o que pode chegar a apenas 80 mil toneladas.
Em contrapartida, o Brasil, maior produtor mundial, espera um aumento de 8,8% em sua safra, totalizando 1,01 milhão de toneladas. Contudo, os EUA impuseram uma tarifa de 10% sobre o suco em abril, aumentando-a para 50% no início de julho, com aplicação a partir de 1º de agosto.
Impacto da quebra de safra e tarifas
A CitrusBR, entidade que representa os exportadores brasileiros, aponta que a redução no volume de suco de laranja exportado para os EUA no primeiro semestre de 2025 está mais ligada à quebra histórica da safra do que às tarifas.
“A redução do volume embarcado aos EUA, por enquanto, tem a ver com a quebra da safra, e não propriamente com o tarifaço”, afirmou o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.
Apesar disso, Netto alerta que a nova tarifa de 50% será um desafio considerável, pois pode comprometer até 70% do preço final do produto nos Estados Unidos, tornando as exportações inviáveis.
Dados da exportação e preocupações do setor
Entre janeiro e junho de 2025, houve uma queda de 8,7% no volume exportado para os EUA, totalizando 556 mil toneladas. No entanto, o faturamento no período disparou 77,8%, alcançando US$ 654,7 milhões, impulsionado pela alta recorde do preço do suco na Bolsa de Nova York.
O varejo americano registrou o maior valor do galão de suco desde 2001, chegando a US$ 11,68 em julho.
O Brasil continua sendo o principal fornecedor de suco de laranja para os EUA, respondendo por 70% do consumo. Contudo, o setor teme que a nova tarifa prejudique a competitividade do produto brasileiro.
A CitrusBR estima que o impacto das tarifas possa gerar prejuízos de até R$ 4,3 bilhões para toda a cadeia produtiva do suco de laranja.
Cenário desafiador para o setor
Enquanto a Europa se mantém como o principal destino do suco de laranja brasileiro, com 115,4 mil toneladas embarcadas no início da safra 2024/25, os Estados Unidos, segundo maior mercado, registraram uma queda de quase 20% no volume importado no mesmo período.
O cenário atual reflete um desafio multifacetado para o setor, que enfrenta a combinação de safra reduzida, alta de preços e barreiras tarifárias cada vez mais rigorosas. Para mais informações sobre o agronegócio, acompanhe o portal do Pensar Agro.










