Publicar linguagem simples: o cidadão entender a lei

Ilustração sobre linguagem simples no Legislativo, destacando textos claros e pessoas lendo pareceres.
Uso da linguagem simples facilita que cidadãos entendam leis e editais.
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linguagem simples no Legislativo

Hoje, a linguagem simples facilita que quem queira acompanhar a criação de uma lei estadual pelo celular.

Portanto, os portais das Assembleias mostram o texto do projeto, quem o apresentou, por onde passou e quem foi o relator.

Além disso, apresentam as emendas, o voto de cada comissão e os documentos produzidos no caminho.

É um avanço grande e recente.

Mas há um problema: publicar não é o mesmo que informar.

No entanto, um parecer pode estar disponível na internet, em PDF, ao alcance de qualquer pessoa — e mesmo assim continuar inacessível se for longo, com termos técnicos sem explicação.

Portanto, o acesso é o começo da transparência, não o fim dela.

Em novembro de 2025 entrou em vigor a Lei 15.263, que criou a Política Nacional de Linguagem Simples, válida para os três Poderes, na União, nos estados, no Distrito Federal e nos municípios.

Essa linguagem simples, portanto, orienta que a informação seja encontrada, entendida e usada pelo cidadão.

Há ainda uma exigência pouco comentada: testar com o público se a mensagem ficou clara. Além disso, a avaliação com usuários é parte da implementação.

A dúvida prática para o Legislativo é: a lei se aplica a editais, formulários, avisos?

Mas e o parecer de uma comissão, o voto do relator e a justificativa de uma emenda?

Existe a Lei Complementar 95, de 1998, que trata da clareza do texto da norma, mas não dos documentos que sustentam a decisão.

No entanto, o conjunto deixa um vazio justamente no documento que melhor explica por que uma proposta foi aprovada ou rejeitada.

O resultado é um vazio justamente no documento que melhor explica a aprovação.

A própria Casa Legislativa pode resolver, definindo como aplicar a política pela Lei 15.263, art. 8º.

Algumas medidas são simples e de baixo custo:

  • anexar a cada parecer um resumo em linguagem simples, de poucas linhas, dizendo qual é o assunto, qual o problema, qual o fundamento e qual a conclusão, sem alterar o rigor técnico do restante do documento;
  • manter um glossário público dos termos mais usados;
  • capacitar as assessorias jurídicas e legislativas;
  • testar a compreensão dos textos com pessoas de fora da Casa.

Casos como Linguagem neutra proibida na administração pública mostram que a clareza deve caminhar junto com o rigor.

Mais informações sobre linguagem simples e transparência estão no Portal 163.

Escrever para quem lê e para quem ouve é essencial; o parecer é lido em voz alta nas reuniões e no Plenário.

Portanto, o leitor não pode voltar atrás para consultar um dicionário, e o Parlamento, pela sua própria natureza, é plural e diverso.

Um parecer claro não demonstra erudição; ele fundamenta a decisão com clareza, e não pela quantidade de palavras difíceis.

Transparência de verdade: escrever de forma clara não enfraquece o texto técnico, aumenta a chance de a lei ser cumprida, reduz a dependência de intermediários e evita interpretações divergentes.

Mas a clareza sozinha não resolve tudo: a fiscalização, a estrutura e o acesso à informação também contam.

O obstáculo está na escrita, e pode ser removido pela decisão da própria instituição.

Um Parlamento realmente transparente não é apenas publicar atos; é comunicar de modo que o cidadão encontre, leia e entenda com linguagem simples.

(¹) Fernanda de Fátima Medeiros de Azevedo é servidora pública da ALRN, advogada especialista em D. Processual Civil, Saúde Pública, pós-graduanda em Direito Público (UFRN) e autora da Cartilha dos Direitos do Autista. (²) Eduardo Moreira Lustosa é Secretário Parlamentar da Mesa Diretora da ALMT, advogado especialista em D. Processual Civil, D. Constitucional e D. Eleitoral e Proc. Eleitoral; filósofo Mestre e Doutorando em Filosofia (UFMT).

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