Exatos 1.280 dias após os tiros que ceifaram a vida da servidora Thays Machado, de 44 anos, e de seu namorado Willian César Moreno, de 30, o duplo homicídio Cuiabá terá finalmente seu desfecho nesta terça-feira (21).
O assassino, empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, ex-namorado de Thays, passará por júri popular a partir das 9h no Fórum de Cuiabá, em sessão comandada pela juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.
O crime chocou a população pela ousadia. Além disso, ocorreu por volta das 17h, em rua paralela à Avenida do CPA, em horário de grande movimentação.
O motivo do crime causa repulsa. O empresário não aceitava o fim do relacionamento com Thays e ficou ainda mais irado ao saber do novo relacionamento dela.
Carlinhos Bezerra foi preso na madrugada posterior ao crime, escondido em uma fazenda da família, em Campo Verde (a 129 km de Cuiabá). Em novembro de 2023, chegou a ir para a prisão domiciliar por conta de problemas de saúde. No entanto, em fevereiro de 2024 voltou ao regime fechado, após descumprir as medidas cautelares e sair de casa por diversas vezes sem a autorização judicial – e com guarda-costas.
Desde a nova prisão, ele tentou, por diversas vezes, ganhar a liberdade, mas os pedidos foram negados.
A defesa tentou atrasar ao máximo o júri popular. Somente na última semana, foram três tentativas, todas negadas pelo Judiciário, e ele vai a júri popular.
Na sessão do Tribunal do Júri, as testemunhas, o Ministério Público e o réu serão ouvidos. Em seguida, o Ministério Público e a defesa do empresário se manifestarão, para que os sete jurados definam os rumos dele.
Segundo a acusação, os crimes tiveram motivação torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. No caso de Thays, a denúncia aponta feminicídio em contexto de violência doméstica e de gênero.
duplo homicídio Cuiabá: julgamento marcado
Carlos Alberto Gomes Bezerra aguarda julgamento no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas. A defesa apresentou novo pedido para adiar a sessão, mas a magistrada indeferiu a solicitação e manteve a data do julgamento. A prisão preventiva do acusado também foi mantida.
A pedido do Ministério Público, a juíza determinou o levantamento do sigilo processual e estabeleceu que a sessão do Tribunal de Júri será pública, permitindo o acesso do público ao plenário. No entanto, celulares e outras formas de registro de imagens serão proibidos.
A magistrada também definiu regras para a cobertura jornalística. A cobertura televisiva no interior do plenário ficará restrita à Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, responsável pela divulgação institucional do julgamento. “Permanecem vedadas a captação e a divulgação de imagens que permitam a identificação do réu e dos jurados”, decidiu.
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