Em 2026, o Brasil enfrenta o maior desafio de gestão do fogo das últimas décadas, e incêndios florestais no Brasil são um risco sistêmico ao patrimônio ambiental, econômico e social.
Como presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais, afirmo que a pergunta que se impõe não é mais se enfrentaremos grandes incêndios, mas quão preparados estaremos quando eles ocorrerem.
Prevenção deixou de ser custo e tornou-se estratégia, especialmente em países com vasta extensão territorial, forte produção agropecuária e biomas sensíveis, como o Brasil.
Os eventos recentes no Hemisfério Sul funcionam como um laboratório a céu aberto do que pode ocorrer em território brasileiro.
Na Austrália, ondas de calor próximas a 48 °C agravaram drasticamente o risco de incêndios, levando cidades como Melbourne a registrarem o dia mais quente em 17 anos.
Em incêndios florestais no Brasil, a Organização das Nações Unidas projeta um aumento de até 50% nos incêndios extremos até o fim do século, alertando que governos e sistemas produtivos ainda estão despreparados para esse cenário.
Incêndios Florestais no Brasil: Prevenção Extrema
Em 2025, cerca de 390 milhões de hectares foram queimados no mundo, com perdas econômicas globais que chegaram a US$ 224 bilhões.
Para países com vasta extensão territorial, forte produção agropecuária e biomas sensíveis, isso representa um risco sistêmico ao patrimônio ambiental, econômico e social.
No início de 2026, o Brasil já apresenta indicadores preocupantes, com 24,8% dos municípios brasileiros enfrentando ondas de calor com temperaturas até 5 °C acima da média histórica.
A área queimada no país cresceu 17% em relação ao período anterior, com o Pantanal apresentando um aumento de 330%.
Além disso, a possível consolidação do fenômeno El Niño tende a agravar ainda mais esse cenário, prolongando a estação seca e intensificando as temperaturas em níveis críticos para a produção agropecuária.
No entanto, é importante lembrar que a prevenção deixou de ser uma recomendação técnica e tornou-se uma decisão estratégica.
Por exemplo, a criação e manutenção de aceiros adequados ao risco local, o uso criterioso e autorizado do fogo para manejo e o treinamento de equipes internas são medidas fundamentais para minimizar o risco de incêndios.
Em conclusão, 2026 será o ano da prevenção extrema, e a gestão do fogo precisa deixar de ser reativa e passar a ocupar o centro das decisões estratégicas no campo, nas empresas e no poder público.
Além disso, a responsabilidade é compartilhada, e produtores, governos, instituições técnicas e sociedade precisam atuar de forma integrada para preservar vidas, proteger a produção e garantir a continuidade de um dos setores mais estratégicos da economia brasileira.
Para saber mais sobre a gestão integrada do fogo, leia Gestão Integrada do Fogo: Brasil lidera pacto global com 61 países e Fundo Amazônia: BNDES registra R$ 3,4 bilhões em recorde de investimentos.










