Coordenador de Flávio diz que frete consome renda do produtor e propõe mudanças

odilio balbinotti
Rodinei Crescêncio/Rdnews
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O custo do transporte da produção agrícola é apontado como um dos gargalos mais relevantes pelo agronegócio brasileiro, segundo Odílio Balbinotti Filho, primeiro suplente do senador eleito José Medeiros (PL) e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso. Ele afirma que a dependência exclusiva do transporte rodoviário reduz a renda dos produtores e defende a ampliação da malha ferroviária para reduzir os custos de escoamento da safra.

Como exemplo, Balbinotti menciona o envio de soja de Sorriso (MT) ao Porto de Santos (SP). Segundo ele, o frete chega a cerca de R$ 30 por saca e poderia cair com oferta de trilhos em condições competitivas. Atualmente, a Ferronorte passa por expansão, com traçado prevendo atendimento a Cuiabá (Cuiab) e ao médio-norte, o que tende a aliviar parte desse custo.

“Hoje nós temos uma agricultura no Centro-Oeste, Norte e Nordeste muito competitiva. A gente produz muito por hectare, e isso se deve à alta tecnologia que o agricultor foi adotando ao longo dos anos. Mas nós temos um gargalo que precisa ser resolvido e que hoje toma grande parte da renda do produtor: o frete”, afirmou.

Balbinotti sustenta que a utilização de ferrovias, em condições competitivas, poderia reduzir em aproximadamente R$ 10 o custo por saca de soja, gerando uma economia total estimada em cerca de R$ 8,5 bilhões para os produtores rurais, conforme seus cálculos.

A estimativa depende das rotas atendidas, dos volumes transportados e dos custos operacionais de cada modal, portanto a redução não é garantia para todos os produtores.

Ferrogrão

Além da ferrovia estadual em fase de implementação, outra alternativa para escoar a produção é a Ferrogrão, projeto de 933 quilômetros que ligaria Sinop (MT) a Miritituba (PA), com acesso aos portos do Arco Norte.

O coordenador da campanha de Flávio critica a demora na implantação da ferrovia e atribui parte do atraso à tramitação de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nós temos o caso da Ferrogrão, que ficou parada por cinco anos na mão do Alexandre de Moraes”, afirmou, em referência ao ministro que relatou a ação sobre a legislação relacionada ao projeto.

Em março de 2021, o ministro Alexandre de Moraes concedeu medida cautelar que interrompeu a eficácia da Lei 13.452/2017 e paralisou atos vinculados à ferrovia. A ADI 6553, proposta pelo PSOL, contestava a alteração de limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Par.

Em maio de 2026, o plenário do STF considerou constitucional a norma questionada, removendo aquele obstáculo jurídico específico. A decisão não representou início automático das obras, que ainda dependem de etapas administrativas, ambientais e regulatórias.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que atualiza os estudos que embasam a concessão. Embora o projeto preveja investimentos elevados, sua execução está condicionada ao atendimento das exigências para a implantação.

Agronegócio sente pressão sobre a rentabilidade

O debate sobre custos logísticos ocorre em um cenário de pressão sobre a rentabilidade de diferentes atividades do agronegócio.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), indicam que, em 2025, o agronegócio movimentou R$ 3,20 trilhões, equivalente a 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Apesar de um crescimento de 12,2% em 2025, o setor registrou retração de 2,01% no primeiro trimestre de 2026, conforme o levantamento, refletindo a performance de diversos elos da cadeia produtiva.

Para Balbinotti, ganhos de produtividade no campo precisam vir acompanhados de investimentos em infraestrutura, para reduzir custos entre lavouras, mercados e portos de exportação.

Mudanças no licenciamento

Além de ampliar a malha ferroviária, Balbinotti defende a simplificação dos procedimentos de licenciamento para grandes obras de infraestrutura. Segundo ele, a demora na tramitação dos processos compromete a execução de projetos estratégicos para o país.

“Todo esse licenciamento, esse arcabouço de licenças que são necessárias para fazer obras estruturantes no Brasil, isso atrapalha o desenvolvimento do país”, disse.

O empresário sustenta que reduzir prazos e simplificar regras poderia facilitar novos investimentos. A proposta, segundo ele, será tema de debate no trabalho junto ao senador eleito José Medeiros.

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