A Polícia Federal instaurou um procedimento disciplinar contra o agente Adriano Soares de Lima. Ele é pai de um dos estudantes envolvido na chamada “lista de estupráveis” do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Adriano foi denunciado por alunos do curso por, supostamente, ameaçá-los após seu filho ter o nome envolvido no caso. “Se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”, relatou um dos denunciantes sobre a ameaça.
Câmeras de segurança da universidade também teriam registrado o momento.
Após ter a identificação confirmada, a Superintendência da PF em Mato Grosso acionou a Corregedoria da Instituição para apurar as condutas do agente. “A instituição abriu procedimento disciplinar e neste momento toma as medidas administrativas cabíveis no âmbito interno”, diz trecho da nota.
A UFMT também instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar Discente para apurar o caso.
ENTENDA O CASO
O Centro Acadêmico de Direito da UFMT, campus Cuiabá, revelou no último dia 5 de maio, que acadêmicos de Direito e de outros cursos estavam elaborando uma lista de alunas ‘estupráveis’. Segundo comunicado nas redes sociais, circulam em aplicativos de mensagens registros de conversas em que estudantes queriam classificar calouras como mais ou menos “dignas de serem estupradas”.
Também havia manifestações explícitas de alunos com a intenção de ‘’molestar’’ as colegas de sala. “Em um claro ato de descaso e normalização da violência, as mensagens foram divulgadas e rapidamente se espalharam pela comunidade acadêmica. Fica evidente que a conduta, extremamente grave, de caráter misógino e violento, é absolutamente incompatível com qualquer parâmetro ético, jurídico e humano”, diz trecho da nota.
Dois alunos identificados foram afastados das aulas. As aulas presenciais do primeiro semestre do curso de Engenharia Civil estão suspensas.
Em meio à repercussão, a Polícia Civil instaurou dois inquéritos: um para investigar a criação e circulação da lista denunciada por alunos e outro para apurar a conduta do pai de um dos estudantes investigados, que teria ameaçado acadêmicos dentro do campus Cuiabá e seria policial federal.










