O câncer de mama segue como o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano no país.
Os números sustentam a campanha Outubro Rosa, que reforça a conscientização sobre a doença, a prevenção, o acompanhamento médico e o diagnóstico precoce. Ao mesmo tempo, a oncologia passa por uma transformação na forma de identificar e tratar os tumores.
Recursos como inteligência artificial, análises moleculares e novas terapias direcionadas permitem conhecer com mais precisão as características de cada tumor. A partir dessas informações, é possível definir estratégias de tratamento mais individualizadas.
Medicina de precisão muda o tratamento
A mastologista da Unimed Cuiabá, Fabiana Muniz, afirma que os tratamentos mais modernos priorizam a medicina de precisão.
“O tratamento do câncer de mama mudou radicalmente nos últimos anos, com a chegada de terapias cada vez mais personalizadas, que permitem direcionar o tratamento de acordo com as características do tumor e, em situações específicas, reduzir a exposição a tratamentos que não trariam benefício adicional”, disse ela.
A mudança começa na etapa do diagnóstico. Além da avaliação clínica e dos exames de imagem, a investigação do tumor pode incluir análises capazes de identificar receptores hormonais, proteínas e alterações genéticas ou moleculares que ajudam a caracterizar a doença.
Inteligência artificial amplia apoio ao diagnóstico
A inteligência artificial também começa a ocupar espaço no auxílio ao diagnóstico. Softwares desenvolvidos para análise de imagens podem ajudar radiologistas na identificação e na avaliação de alterações suspeitas, como ferramenta complementar à análise médica.
Do exame à escolha do tratamento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o camizestranto, medicamento que atua diretamente sobre o receptor de estrogênio e promove sua degradação, interferindo no mecanismo usado pelo tumor para crescer. A indicação é para um grupo específico de pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
Outra frente são os anticorpos conjugados a drogas (ADCs), que combinam um anticorpo capaz de reconhecer determinados alvos presentes nas células tumorais com um medicamento citotóxico, permitindo ação mais direcionada sobre o tumor.
A imunoterapia também passou a integrar o tratamento de determinados subtipos de câncer de mama. Testes genéticos e moleculares podem auxiliar a definir o perfil da doença e, em situações específicas, evitar tratamentos mais agressivos quando não oferecem benefício adicional.
Prevenção continua essencial
Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso e redução do consumo de bebidas alcoólicas estão entre os fatores relacionados à diminuição do risco de câncer.
A Sociedade Americana do Câncer divulgou, em outubro de 2026, dados de uma pesquisa com cerca de 33 mil mulheres. O levantamento destacou que cerca de 30% dos diagnósticos de câncer de mama pós-menopausa estão ligados a fatores de estilo de vida modificáveis.
“A prática regular de atividade física pode reduzir de 10% a 30% o risco de câncer de mama e contribuir para uma melhor evolução da doença entre pacientes diagnosticadas”, explica a especialista.
Câncer de mama em mulheres mais jovens
Fabiana Muniz também chama atenção para a ocorrência do câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos, associada a fatores hormonais, ambientais e ao estilo de vida.
“Gestações mais tardias, menor número de filhos e tempo reduzido de amamentação aumentam a exposição aos hormônios ao longo da vida”, destacou.
Segundo a mastologista, a menarca precoce também pode estar relacionada a esse cenário. Embora a maioria dos casos não esteja associada a mutações hereditárias, mulheres jovens diagnosticadas podem ter maior indicação de investigação de histórico familiar e predisposição genética.
Diagnóstico precoce segue fundamental
Mesmo com a evolução das tecnologias, o diagnóstico precoce permanece uma das principais estratégias para melhorar os resultados do tratamento.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento mamográfico populacional para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Fora dessa faixa, a realização do exame pode ser indicada individualmente, conforme avaliação e orientação profissional.
Nesse contexto, a Unimed Cuiabá mantém a Jornada do Paciente Oncológico e a Rede de Cuidado Continuado, voltados ao acompanhamento de pacientes oncológicos, com assistência desde os primeiros exames até o tratamento.










