Corrupção em Cuiabá: Advogados exigiam R$ 250 mil

Corrupção em Cuiabá: Advogados exigem R$ 250 mil para habeas corpus
Advogados exigiram R$ 250 mil para intermediar habeas corpus favorável em Cuiabá
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Corrupção em Cuiabá: um problema recorrente

Investigados por prometerem decisões favoráveis para presos mediante pagamento de dinheiro, os advogados Gustavo Barros do Santos e Liomar Santos de Almeida, além do bacharel em Direito, Dimas Pimentel Barroso, foram denunciados por familiares do faccionado Joseph Ibrahim Khargy Junior, liderança do Comando Vermelho em Cuiabá. No entanto, em meio à Operação Smoke, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil, um cenário de corrupção foi revelado.

A decisão que determinou a operação revelou que os alvos exigiram R$ 250 mil para intermediar um habeas corpus favorável ao faccionado junto a um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Além disso, a negociação foi conduzida de forma reiterada e reservada, com orientação expressa para que os fatos não fossem comunicados aos advogados regularmente constituídos pela família do preso.

Os familiares contaram que foram procurados por Dimas Pimentel, que dizia ter acesso privilegiado a um assessor de desembargador e que poderia conseguir o deferimento do habeas corpus. No entanto, para o “sucesso jurídico”, ele cobrou R$ 250 mil, que foi reduzido para R$ 200 mil na negociação.

“Relatam, ainda, que as negociações teriam sido conduzidas de forma reiterada e reservada, com orientação expressa para que os fatos não fossem comunicados aos advogados regularmente constituídos pela família do preso”, diz o relatório da decisão.

Os familiares chegaram a se reunir com o bacharel em Direito na conveniência de um posto de combustíveis na Avenida do CPA no dia 12 de dezembro de 2025. Além disso, contaram que ele insistia na oferta por meio de contatos via aplicativos de mensagens.

Corrupção em Cuiabá: um problema recorrente

As investigações ainda revelaram que o advogado Gustavo Barros dos Santos chegou a se reunir com o faccionado na prisão após as conversas do comparsa com os familiares dele. Gustavo não figurava como advogado do detento. Em conclusão, a operação revelou um caso de corrupção que envolvia um advogado e um desembargador.

Um assessor do desembargador chegou a ser ouvido pela Polícia Civil. Ele afirmou desconhecer o suposto “lobista” e relatou que a decisão desfavorável à liberdade do faccionado ocorreu antes do suposto encontro entre Pimentel e os familiares do detento. No entanto, as investigações continuam, e mais detalhes sobre a operação podem ser revelados.

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De acordo com a decisão, o advogado Dimas Pimentel agiu de maneira semelhante num caso de 2023. Na ocasião, ele e Liomar Santos de Almeida cobraram dinheiro de familiar de um detento para repassar ao assessor de um desembargador.

“Nesse episódio, menciona-se, inclusive, a exigência de penhor de veículo e posterior transferência de quantia em dinheiro, com modus operandi similar ao ora apurado”, afirma a decisão. “As diligências complementares teriam evidenciado vínculo pessoal e profissional entre Dimas Pimentel Barroso e Liomar Santos de Almeida, com indícios de atuação coordenada, divisão de tarefas e habitualidade na abordagem de vítimas, sob a promessa de intermediação ilícita de decisões judiciais”, complementa.

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