Mato Grosso chegou à marca de 15 mulheres assassinadas por feminicídio em 2026, após mais dois casos registrados nesta semana em Cuiabá e Várzea Grande. Os crimes, ambos cometidos por companheiros das vítimas, chamaram atenção pela violência e pelas tentativas dos autores de esconder os corpos e despistar a polícia.
Segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado (MPMT), foram dois feminicídios em janeiro; dois em fevereiro; seis em março (mês em que é comemorado o Dia da Mulher); três em abril; e dois em maio, que começou há apenas uma semana. Assim, a média é de três casos por mês em 2026.
Os casos aumentam o alerta para a escalada da violência contra a mulher no estado, que é o recordista de feminicídios no país há dois anos, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os crimes são marcados por execuções dentro de casa, perseguições, espancamentos, estrangulamentos e assassinatos cometidos diante de familiares.
O caso mais recente ocorreu em Várzea Grande. , foi encontrada morta em uma área de mata no bairro Parque Atlântico, nesta quinta-feira (7). O marido dela, Francisco Carlos Pereira da Silva, de 67 anos, confessou o crime à Polícia Civil.
A mulher estava desaparecida desde terça-feira (5). Em depoimento, Francisco afirmou que matou a esposa após descobrir uma traição. Conforme a investigação, ele chamou a vítima para “dar uma volta”, a levou até uma região de mata e anunciou que ela morreria por tê-lo traído.
Depois do assassinato, o homem arrastou o corpo até um córrego e cobriu o cadáver com galhos para dificultar a localização.
Apenas dois dias antes, outro feminicídio já havia causado comoção em Cuiabá. A empresária , de 64 anos, foi assassinada pelo companheiro, Jackson Pinto da Silva, de 38 anos.
Nilza foi amarrada e morta por estrangulamento com um lacre plástico do tipo “enforca-gato”. Após o crime, cometido entre domingo (3) e segunda-feira (4), o suspeito enterrou o corpo da empresária em um buraco de cerca de dois metros de profundidade, nos fundos de uma casa alugada no bairro Parque Cuiabá.
De acordo com a investigação, Jackson alegou que os conflitos aumentaram após ele ter um filho fora do relacionamento. Depois do assassinato, ainda tentou despistar a polícia registrando o desaparecimento da companheira e afirmando que estaria sofrendo extorsão.
Diante da sequência de crimes, o delegado da DHPP, Caio Albuquerque, fez um alerta às mulheres sobre sinais de relacionamentos abusivos e comportamentos obsessivos.
Mulheres: não desacreditem qualquer comportamento obsessivo do homem. Encerrem o relacionamento. Infelizmente. Não paguem pra ver!
“É uma súplica para que as mulheres tenham cuidado. Os feminicídios estão acontecendo, muitas vezes em plena luz do dia. É algo que precisa ser refletido. Mulheres: não desacreditem qualquer comportamento obsessivo do homem. Encerrem o relacionamento. Infelizmente. Não paguem pra ver!”, alertou.
Outros casos que marcaram 2026 em Mato Grosso
O ano já acumula uma sequência de feminicídios violentos em diferentes regiões do estado.
Em fevereiro, a professora , foi assassinada a tiros dentro de casa, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. O ex-marido invadiu o imóvel armado e matou a vítima após meses de ameaças e perseguições. As filhas denunciaram falhas no cumprimento da medida protetiva e no atendimento após acionamentos do botão do pânico. O suspeito morreu após reagir à abordagem policial durante fuga. Segundo apurado, ele ainda pretendia matar uma das filhas da vítima.
Em março, , de 35 anos, morreu após ser espancada e atropelada pelo companheiro em Vila Bela da Santíssima Trindade (520 km de Cuiabá). A vítima foi encontrada desacordada próximo a uma propriedade rural. A polícia apurou indícios de atropelamento e possível agressão com um macaco hidráulico.
Também em março, , de 38 anos, foi assassinada em São José do Xingu (1.200 km de Cuiabá). O companheiro dela, Laurival Lucena Pinto Filho, foi apontado como autor do crime, mas acabou sequestrado e morto horas depois. Os principais suspeitos são os filhos da vítima, que teriam se vingado do feminicídio. O corpo do homem foi encontrado em uma cova rasa.
No fim de março, , de 20 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro em uma propriedade rural de Porto dos Gaúchos (644 km de Cuiabá). Após matar a jovem dentro da residência, o autor tirou a própria vida. O crime aconteceu no momento em que Mariana recolhia pertences pessoais na casa onde havia morado com ele.
Em abril, , de 24 anos, foi encontrada morta dentro da própria residência em Sinop (500 km de Cuiabá). O suspeito confessou o crime e alegou que a morte ocorreu durante uma discussão. A investigação aponta que a vítima foi asfixiada com uma toalha. Câmeras de segurança registraram o homem deixando o imóvel sozinho após o crime.










