O advogado Elson Marcelino, responsável pela defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, afirmou nesta quinta-feira (30) que a juíza Mônica Catarina Perri, responsável por conduzir o Tribunal do Júri que julgará o réu pelas mortes da ex-companheira Thays Machado e do então namorado dela, William Moreno, há cerceamento do direito de defesa e conduz o processo com o objetivo de obter uma condenação a qualquer custo.
Na coletiva de imprensa, realizada na véspera da sessão do júri popular marcada para esta sexta-feira (31), no entanto, Marcelino afirmou que a magistrada rejeitou todos os requerimentos apresentados pela defesa durante a sessão do dia 21 de julho e, posteriormente, determinou a nomeação de um defensor público para atuar no júri caso o réu não compareça, citando ainda uma Estratégia para adiar júri.
Portanto, na avaliação do advogado, a condução do processo parece visar uma resposta rápida à sociedade, levando em conta a repercussão do caso e o fato de Carlinhos ser filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB). “Estão tocando a toque de caixa, porque estão buscando uma resposta para a sociedade. Mas uma resposta para a sociedade a qualquer custo é o que nós estamos combatendo desde o início”, declarou.
Além disso, durante a coletiva, Marcelino criticou a postura da magistrada na última sessão do júri, alegando que ela extrapolou as atribuições do cargo, sugerindo uma condenação prévia do réu. “A magistrada se insurge e afirma que já tem elementos para a condenação. Cadê a imparcialidade que ela deveria ter? Cadê o cuidado e zelo com a prova processual?”, questionou.
Como argumento para sustentar que seu cliente não terá uma defesa plena, Marcelino citou que a própria Defensoria Pública, nomeada para atuar no processo em caso de ausência da defesa constituída, recorreu às instâncias superiores pedindo mais tempo para analisar o processo. “Você não pode simplesmente substituir uma defesa, assim, a toque de caixa. Não é assim que funciona”, afirmou.
O advogado destacou ainda que a Defensoria reconheceu a dificuldade de assumir o caso em poucos dias. “No dia 21, o que a Defensoria fala? Nós não temos tempo hábil para análise e preparo do processo. Dez dias. Não é que é o mesmo argumento, é porque realmente não é humano fazer a análise em dez dias.”
Questionado sobre a possibilidade de abandonar novamente a sessão do Tribunal do Júri, como ocorreu anteriormente, Marcelino confirmou que isso pode voltar a acontecer. “Tem chance, sim.”
cerceamento do direito de defesa
Portanto, o cerceamento do direito de defesa é a principal linha de argumentação da defesa, que afirma buscar apenas um julgamento justo e o cumprimento estrito das garantias processuais.
Apesar das críticas à condução do processo, o advogado afirmou que não busca impedir o julgamento e reconhece que seu cliente deve responder pelos crimes. Segundo ele, a atuação da defesa tem como objetivo combater o que considera “excessos processuais”.
“Estamos buscando a diminuição da pena, buscando uma condenação justa para o cliente, se for condenado. E buscando uma absolvição, se conseguirmos demonstrar que não existem elementos para a condenação”, disse.
O caso envolve Carlinhos Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), que responde pelo feminicídio da ex-namorada Thays Machado, servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e pelo homicídio do então namorado dela, William Moreno. O crime ocorreu em janeiro de 2023, nas proximidades da Avenida do CPA, em Cuiabá.
Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por vingança após o fim do relacionamento entre Carlinhos e Thays, em dezembro de 2022. O MP aponta feminicídio e homicídio com torpeza, além de apontar que o réu mantinha comportamento controlador e vigiava a ex após a separação. O júri está marcado para esta sexta-feira (31) em Cuiabá.
Entre os pontos citados pela defesa, a data do júri em Cuiabá, a rejeição de requerimentos pela magistrada em 21 de julho e o pedido da Defensoria para mais tempo para analisar o processo foram destacados.
Mais detalhes sobre o tema podem ser acompanhados no Portal163: Defesa de Carlinhos Bezerra.










