Integrante da banca de advogados que patrocina a defesa do coronel do Exército, Etevaldo Caçadini, Sara Quinetti classificou seu cliente como um preso político. Ele está preso desde janeiro de 2024, acusado de ter financiado o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá. Além disso, a jurista destacou a ausência de relação direta entre Caçadini e o crime.
Segundo a jurista, não há nos autos nenhuma ligação de Caçadini com o crime. No entanto, ela afirmou que acompanha o processo desde o início. “São dois anos e oito meses esperando justiça. O coronel é um preso político e eu tenho certeza que nós vamos provar”, declarou a advogada.
Antes de entrar na sessão do júri popular, a advogada ressaltou que o coronel não tem relação com a vítima. “O coronel nunca ouviu falar no nome do Roberto Zampieri. O coronel nunca soube quem é Zampieri na vida. Ele nunca esteve aqui”, disse.
A advogada admitiu uma relação próxima entre seu cliente e Anibal Manoel Laurindo, apontado como mandante do assassinato. “Ele era amigo, sim, do Aníbal. Mas ele não tem nada a ver com esse crime. Nós vamos provar isso no júri”, garantiu. Além disso, ela afirmou que Caçadini é visto por ela como um preso político.
Também defensor do coronel, o advogado Jayme Carvalho destacou a fragilidade de provas apresentada pela acusação. Ele citou, como exemplo, ausência de testemunhas que ligam o coronel ao crime. “A defesa está muito confiante na insustentabilidade das provas que o Ministério Público carregou até agora”, assinalou. No entanto, a defesa ressalta que a análise dos elementos deverá esclarecer os fatos no júri.
Especialistas ouvidos pela comunidade jurídica destacam que rotular a defesa como preso político pode influenciar a percepção pública, reforçando a necessidade de provas sólidas. Por isso, juristas ressaltam que as decisões devem seguir critérios técnicos e preservar o devido processo legal.
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ASSASSINATO E REPERCUSSÃO
Roberto Zampieri foi morto a tiros em dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Além da acusação de homicídio qualificado, o caso teve repercussão nacional após a análise do celular da vítima desencadear investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais, que resultaram em operações da Polícia Federal e no afastamento de magistrados.
A motivação do crime, segundo o MP, foi uma disputa pela Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em R$ 100 milhões. Como mandantes, foram denunciados Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, por homicídio qualificado. Zampieri atuava na defesa da parte adversária do casal.
- Antônio Gomes da Silva — apontado pelo MP como autor dos disparos.
- Hedilerson Fialho Martins Barbosa — acusado de intermediar o crime e fornecer a arma.
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