O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), demonstrou controle total sobre a base aliada na Câmara Municipal. Com efeito, os vereadores mantiveram dois vetos importantes, contrariando pareceres da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A CCJ, presidida pela primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL), teve sua autonomia questionada. Apenas um veto foi derrubado, e isso só ocorreu após autorização expressa do chefe do Executivo. Assim, a vereadora Maysa Leão (Republicanos) criticou veementemente a situação.
Maysa Leão critica intervenção na CCJ
De acordo com Maysa Leão, a Câmara foi tratada como um anexo do gabinete do prefeito no Palácio Alencastro. Ela declarou que foi ordenado aos vereadores que retirassem a legitimidade do trabalho da CCJ. Dessa forma, a CCJ, considerada a comissão mais importante da Casa, teve seu trabalho desvalorizado.
“Hoje, os próprios vereadores desta Casa cumpriram a ordem do gabinete principal e transformaram isto aqui no local que tanto o prefeito criticava, colocando a CCJ na lama”, complementou Maysa. Ela ressaltou ainda que a honra da CCJ foi perdida com essa intervenção direta.
A vereadora, que adota uma postura independente no Legislativo cuiabano, enfatizou: “Este plenário entregou a CCJ para o alto escalão. Isso é um absurdo. É ultrajante.” Ela ainda criticou o fato de a matéria, que foi respaldada, ter tido seu processo de discussão desconsiderado.
Entre os vetos mantidos, um era ao projeto de lei de autoria de Maysa. Este projeto obrigava empresas de transporte público a fornecerem atestado de atraso aos trabalhadores da Capital em caso de falha na prestação de serviço. Dessa forma, o projeto de Maysa não avançou, demonstrando a força de Abílio.
Outro veto mantido foi à proposta do vereador Rafael Ranalli (PL), que faz parte da base de Abílio. A proposta garantia meia-entrada em espetáculos para mesários eleitorais. Contudo, conforme esperado, o alinhamento com o prefeito prevaleceu.
O único veto derrubado, com parecer da CCJ e aval do prefeito, foi sobre diretrizes para campanhas de saúde sexual e reprodutiva para adolescentes e jovens. Este projeto também é de autoria de Ranalli. Em suma, a decisão final sobre este veto seguiu a orientação do Executivo.
Vale ressaltar que Rafael Ranalli chegou a “enquadrar” o líder do prefeito, vereador Dilemário Alencar (União Brasil). Ele havia orientado a base a votar pela manutenção do veto. No entanto, após consultar o Palácio Alencastro, Ranalli mudou seu posicionamento. Assim, o veto foi derrubado com 26 votos, demonstrando como o Abílio comanda base na Câmara de Cuiabá, mesmo em temas sensíveis.
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