O Congresso da Aviação Agrícola Brasil, realizado em Santo Antônio de Leverger (MT), superou expectativas ao reunir cerca de cinco mil participantes. O evento apresentou um crescimento de 20% em relação à edição anterior, consolidando sua importância para o setor.
O congresso ocorreu entre os dias 19 e 21 de agosto e contou com mais de 200 marcas expositoras, incluindo empresas internacionais. O estado de Mato Grosso, que lidera o ranking nacional de aviação agrícola com 749 aeronaves, sediou o evento pela segunda vez. Assim, a escolha do local reforça a relevância de Mato Grosso para a aviação agrícola Brasil.
Desafios e Oportunidades para a Aviação Agrícola Brasil
No primeiro dia, um painel crucial discutiu os impactos das taxações americanas no setor. O economista Claudio Junior Oliveira Gomes alertou sobre o risco de o Brasil adotar a chamada Lei de Reciprocidade. Caso isso ocorra, pode haver taxação em equipamentos utilizados nas aeronaves agrícolas.
Essa taxação impacta indiretamente o setor, uma vez que a aviação agrícola atende a cadeias produtivas que também seriam afetadas. Fabricantes dos Estados Unidos apontam que o Brasil foi o maior comprador mundial de aeronaves agrícolas em 2023. Para mitigar a incerteza, especialistas recomendaram o controle de caixa e investimentos de longo prazo.
Ademais, o congresso marcou o lançamento da Associação das Mulheres da Aviação Agrícola (AMAG). A iniciativa visa fortalecer a representatividade de profissionais como pilotas, advogadas, administradoras e gestoras operacionais no setor.
Outro momento marcante foi a palestra de Hélio Hermito Neto Zampier, ex-jogador da Chapecoense e sobrevivente do acidente aéreo de 2016. Ele compartilhou sua jornada de superação após ser resgatado em estado crítico. “Não sou melhor do que os que se foram. É importante valorizar o próximo porque tudo pode acabar de repente”, afirmou, tocando profundamente o público com sua mensagem de resiliência, fé e amizade.
O Aeroporto Executivo de Santo Antônio de Leverger, local do evento, possui uma infraestrutura completa. Com uma pista de 1.800 metros, 11 hangares, oficinas, corpo de bombeiros e balizamento noturno, pode operar 24 horas e receber aeronaves de diversos portes.
Durante o congresso, foi inaugurado um novo espaço multiuso de 724 m², projetado para integrar funções de restaurante ou área de eventos. O design, assinado pela arquiteta Fernanda Machado, valoriza referências locais, como o Morro de Santo Antônio e elementos dos biomas Pantanal e Cerrado. Assim, o evento não apenas debateu o futuro da aviação agrícola Brasil, mas também celebrou a cultura e a infraestrutura regional.
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