Emanuelzinho: defender Lula em MT é difícil, mas necessário

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O deputado federal Emanuelzinho, vice-líder do Governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados, admitiu em entrevista que defender o presidente em Mato Grosso é um desafio considerável.

Ele reconhece o perfil conservador do eleitorado mato-grossense, majoritariamente simpatizante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa postura política, segundo ele, pode dificultar sua reeleição em 2026.

Custo da defesa de mudanças

Emanuelzinho afirma estar preparado para arcar com as consequências de defender mudanças estruturais e justiça social no Brasil. Ele cita como exemplos as trajetórias dos ex-presidentes João Goulart e Dilma Rousseff (PT).

“É difícil [defender Lula em MT], mas não estou defendendo o Lula. Minha defesa não é do Lula. A defesa é de uma política econômica que possa reorganizar o Brasil de forma que a gente tenha uma economia que cresça e distribua a renda.”

Ele argumenta que políticas econômicas mais heterodoxas foram cruciais para o desenvolvimento do país com inclusão social, contrastando com períodos de crescimento sem distribuição de renda ou com crises econômicas.

Reeleição e vulnerabilidade

O deputado pondera que a aliança com Lula o torna mais vulnerável a críticas, mas ressalta que defender os mais necessitados e combater privilégios sempre gerou ataques.

“Não sei se dificulta a reeleição, naturalmente me torna vulnerável a muitas críticas. Mas, historicamente, o Brasil foi assim. João Goulart foi deposto por querer fazer uma reorganização do Estado brasileiro. A presidente Dilma foi derrubada a partir também de uma insatisfação do Congresso e de elites. Ou seja, o Brasil tem esse histórico de derrubada de quem quer mexer nos seus privilégios.”

Emanuelzinho se mostra convicto de suas convicções e aberto ao debate, confiante de que seus opositores não conseguirão convencer a população contra seus argumentos.

Taxação de super-ricos

O parlamentar defende a taxação de super-ricos, apoiando medidas como o reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do Imposto Territorial Rural (ITR).

“Estou pronto para mexer nesses privilégios. Então, se for atacado por isso, eu não me omito e estou pronto para enfrentar qualquer crítica e me tornar de peito aberto na defesa do que eu acredito.”

Ele exemplifica a disparidade tributária, mencionando que grandes fazendas pagam menos ITR no Brasil do que o município de São Paulo arrecada com IPTU, o que considera injusto e um reflexo de privilégios históricos desde o Brasil Colônia.

IOF e isenção do IR

Emanuelzinho explicou que o aumento do IOF de 3,4% para 3,5% nas transações de cartão de crédito, mesmo com a judicialização da medida, possibilitaria a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

“A gente queria fazer que quem está pagando menos e está no topo da pirâmide possa pagar mais para que a gente possa impor a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.”

Ele acredita que essa isenção estimularia a economia, pois os trabalhadores teriam mais poder de compra e poderiam investir em turismo e reformas, movimentando o mercado.

“A gente enfrenta uma resistência muito grande. São essas questões que dificultam a nossa luta, mas a gente está muito convicto de que estamos no caminho certo.”

Mudança partidária

Com o MDB se alinhando ao centro-direita em Mato Grosso, Emanuelzinho avalia deixar o partido na próxima janela partidária, em março de 2026, com destino provável ao PSD do ministro Carlos Fávaro.

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