Em muitos casos de violência nos relacionamentos, o abusador se apresenta como um encantador, oferecendo presentes, elogios e uma sensação de realização. No entanto, essa fachada pode esconder um ciclo de manipulação e controle.
Segundo a delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, Judá Maali, a violência nos relacionamentos começa com o encantamento, não com as agressões. “O relacionamento abusivo não inicia com um tapa, né? Senão a mulher já sai antes de se envolver emocionalmente.”
Os 4 estágios da violência nos relacionamentos
- O encantamento: O abusador se apresenta como um encantador, oferecendo presentes, elogios e uma sensação de realização. “Ele fala tudo que ela gostaria de ouvir, ele faz tudo: traz um mundo de encantamento que nós mulheres desde novinhas somos formatadas para acreditar que ele é o homem perfeito”
- A mudança de comportamento: O abusador começa a mudar, diminuindo a presença, os elogios e os presentes, até que a vítima comece a se sentir frustrada e tentar restaurar a fase inicial do relacionamento.
- O controle: O abusador começa a controlar a vítima, exigindo que ela mude para se tornar a mulher ideal.
- A perda da identidade: A vítima começa a perder a percepção da realidade e a identidade, até que não saiba mais o que gosta ou o que quer.
Além disso, a delegada destaca que a inversão de culpa é um dos pontos mais perversos do processo. “Ele vai retirando a percepção da realidade da mulher. Sabe o que o mote da violência psicológica? Ele pega o que ela tem de melhor.”
Por exemplo, o agressor pode dizer que a vítima não é a mulher ideal que ele pensou, porque ela não faz isso ou não faz aquilo. “Ele começa a dizer o que ela precisa fazer para ela se tornar aquela mulher ‘ideal’ e ele voltar a fazer tudo que ele fazia.”
Conclusão: A violência nos relacionamentos é um ciclo de manipulação e controle que pode levar à perda da identidade e da autonomia da vítima. “Ela está vivendo um jogo de manipulação a ponto desse homem bater nessa mulher e ela acreditar que a culpa é dela.”
Saiba mais sobre violência e como identificar os sinais de alerta.









