Em Várzea Grande, o caminhoneiro João Osvaldo, de 65 anos, contou detalhes do terror que passou ao ser sequestrado por criminosos. Ele ficou quase 24 horas em cativeiro e foi resgatado na tarde desta quinta-feira (16) durante operação da Força Tática.
Várzea Grande: caminhoneiro detalha o sequestro
No confronto com os agentes, dois suspeitos morreram. Além disso, outros cinco foram presos em flagrante.
Segundo João, o crime começou na noite de quarta-feira (15) por volta das 19h. Ele estava parado em um posto às margens da rodovia, em Várzea Grande, jantando enquanto esperava o trânsito melhorar para seguir à Capital. Foi nesse momento que os cinco criminosos chegaram. Irmãos mortos confronto sequestro caminhoneiro.
“Chegou com o revólver. Chegou bem de lento. Encostou no meu ouvido: ‘Fique quieto. Nós queremos o teu caminhão. E se tiver dinheiro, queremos dinheiro’”, contou.
“Os criminosos colocaram o caminhoneiro no carro e o levaram ao primeiro local do sequestro. Eu deitei na frente do banco e eles foram com os pés em cima”, disse. “Não bateram, só encostavam a arma bem forte. E daí fui dormindo, mandaram eu deitar em uma cama lá. Uma cama ali, meu Deus, passei sufoco”, emendou.
Ele foi levado primeiramente para uma casa onde ficou até as 9h de quinta. Depois foi transferido para um segundo cativeiro em área de mata no Capão Grande.
Durante todo o tempo, ele foi ameaçado e obrigado a passar senhas de suas contas bancárias. “Eles iam fazer roleta russa. Eu tive que passar toda a senha do pix e a senha dos cartões. E eu tinha que sacar todo o meu dinheiro”, contou. Segundo ele, o prejuízo foi de cerca de R$ 30 mil. “O pix, eu tinha vinte e três. E eles foram fazer bastante pix. Assim, de pouquinho em pouquinho”, revelou.
João disse que temeu pela vida. “Ah, eu achei que eles iam me matar. Primeiro eles me levaram. Ontem, no matinho, eles me levaram para me matar. Mas daí, depois, eles me levaram para casa. E eles estavam me olhando demais. Eu achei que eles iam me matar. De qualquer maneira, meu Deus do Céu”, confessou.
Na manhã de quinta, os criminosos ligaram para o irmão da vítima para pedir mais R$ 10 mil, usando a desculpa de que o caminhão tinha quebrado. A família desconfiou e as filhas de João começaram a rastrear o celular. “Daí eles se apavoraram, eles viram e pegaram e quebraram o meu celular”, disse. Conforme a comandante da Força Tática, tenente-coronel Valéria Fleck, as diligências reuniram equipes de Cuiabá, Várzea Grande e da Polícia Civil.
Dois suspeitos foram localizados primeiro em Várzea Grande com o veículo usado no crime. A partir das informações, a polícia chegou a uma casa no Novo Horizonte, em Cuiabá, usada como ponto de apoio. Ao tentar abordar, os policiais foram recebidos a tiros. Os agentes revidaram e dois criminosos morreram no local. Segundo a PM, ambos tinham antecedentes e um deles possuía fotos com fuzil.
Após o confronto, os presos indicaram onde João estava. No Capão Grande, mais dois foram detidos e o caminhoneiro foi encontrado. “Quando eu vi a polícia aí, meu Deus do céu. Eu até chorei de emoção”, disse.
Na casa do Novo Horizonte, a PM apreendeu armas de fogo, fardas camufladas, facões, abraçadeiras plásticas do tipo “enforca-gato”, rádios comunicadores e roupas da vítima. O caminhoneiro contou que já entrou em contato com a família: “Agora estou melhor, graças a Deus”, tranquilizou. A polícia segue investigando o caso.
Caminhoneiro ficou quase 24 horas em cativeiro.
Confronto resultou na morte de dois suspeitos e prisão de cinco em flagrante.
Armas, fardas, facões e rádios foram apreendidos durante a operação.
Mais detalhes sobre o caso podem ser encontrados em Portal 163.










