O Brasil reunia 2.407.049 docentes na educação básica em 2025, cerca de 220 mil a mais do que uma década antes. Os números são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgados por ocasião do Dia dos Professores.
Esses profissionais sustentam, todos os dias, o direito de aprender de 46 milhões de estudantes. O dado abre a reflexão proposta pela psicopedagoga Márcia Amorim Pedr’Angelo, que propõe olhar para quem ainda vai ensinar.
Para a autora, o retrato atual da profissão ajuda a responder o que os professores do futuro podem ensinar desde já. Valorizar quem já está em sala, escreve, é o que garante que haverá quem ensine.
Aposentadorias e a queda entre os mais jovens
A pesquisa Apagão dos Professores, do Instituto Semesp, mostra que, entre 2015 e 2023, os docentes de até 24 anos no ensino médio diminuíram 31,1%. No mesmo período, os professores de 60 anos ou mais aumentaram 104,5%.
Na avaliação da psicopedagoga, cada aposentadoria leva consigo décadas de experiência. Cada jovem que escolhe a sala de aula, por sua vez, precisa encontrar uma carreira reconhecida, com formação contínua e uma equipe com quem crescer.
Uso de inteligência artificial na preparação de aulas
A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelou que 56% dos docentes brasileiros usam inteligência artificial para preparar aulas. O índice está acima da média de 36% registrada nos países da OCDE.
Segundo Márcia, o dado confirma a primeira lição: quem ensina segue aprendendo a vida inteira. A ferramenta, porém, não esgota o ofício.
Informação não é formação
A autora distingue informação de formação. A primeira é o que uma tecnologia organiza e entrega em segundos; a segunda acontece entre duas pessoas, quando um adulto percebe que a criança chegou mais calada, sustenta um combinado com firmeza ou espera o tempo necessário para que ela encontre a própria resposta.
Afeto, disciplina e autonomia continuam sendo ensinados na relação, argumenta. Quanto mais a tecnologia avança, maior fica o papel humano do professor.
Duas décadas de sala de aula
Fundado em 2006, o Toque de Mãe chega aos 20 anos. As crianças que chegaram às salas naquele ano hoje são adultas, e algumas certamente estão escolhendo a docência.
Outras aparecem explicando um exercício a um colega, resolvendo um problema real no programa de educação empreendedora ou se virando em outro idioma, do outro lado do mundo, durante o intercâmbio. Cada uma dessas cenas carrega um pouco de quem ensinou.
A autora conclui que homenagear os professores é reconhecer o trabalho de quem ensina hoje e preparar o caminho de quem vai ensinar amanhã. Vinte anos depois, afirma acreditar que a escola mais preparada para o futuro é aquela que cuida bem de quem ensina.
Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Colégio Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.










