Representante de marca bilionária de calçados entra em recuperação judicial em Cuiabá

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A 1ª Vara Cível de Cuiabá autorizou o processamento da recuperação judicial da empresa Sunshine Calçados e Confecções Ltda, representante oficial da marca bilionária do setor, a Sketchers, no Centro-Oeste e Norte do país. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (5).

De acordo com a relação apresentada nos autos, a empresa acumula dívidas que ultrapassam R$ 18,7 milhões, considerando apenas os principais credores financeiros, comerciais e contratos de seguro fiança, além de débitos trabalhistas.

No pedido, a empresa afirma que a crise financeira teria sido provocada por uma série de problemas na relação comercial com a fornecedora Skechers do Brasil Calçados Ltda. A Skechers é considerada a terceira maior marca de calçados do mundo. Em 2024, por exemplo, registrou um faturamento recorde de US$ 8,97 bilhões.

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Segundo a petição, o Grupo Sunshine iniciou as atividades em 2015 com a promessa de um projeto nacional de 60 lojas em cinco anos, com exclusividade nas regiões Centro-Oeste e Norte, mas desde a primeira unidade, em Cuiabá, enfrentou falhas no abastecimento de produtos e atrasos de coleções.

Os problemas se agravaram com a abertura de lojas em outros estados, com impacto de carga tributária, negativa de repasse de créditos fiscais, exigência de frete aéreo e concorrência de grandes varejistas que vendiam os mesmos produtos com descontos de 30% a 50%. A empresa também afirma que foi incentivada a assumir duas operações deficitárias em Brasília por R$ 3,5 milhões, que geraram prejuízo anual de cerca de R$ 3 milhões.

Ainda conforme o pedido, durante a pandemia de Covid-19 (2020 e 2021), o grupo manteve 63 funcionários sem demissões durante cinco meses de fechamento e acumulou uma “dívida pré-covid” de R$ 3,5 milhões com a fornecedora.

O texto também aponta cancelamentos de pedidos já feitos, atrasos de entrega que teriam chegado a 77% em 2025 e bloqueios de faturamento quando havia atraso de pagamentos, o que teria agravado o ciclo de endividamento. Segundo a empresa, o resultado foi uma “bola de neve”, com falta de produtos para vender e queda de caixa para honrar compromissos.

Entre os maiores valores estão débitos com Itaú Unibanco, no valor de R$ 4.012.476,28, Banco Santander, de R$ 3.359.137,42, e diversas apólices de seguro fiança vinculadas à própria Skechers do Brasil Calçados Ltda., que somam mais de R$ 10 milhões. Também aparecem na lista dívidas com aluguéis em shopping centers, fornecedores, prestadores de serviços e dezenas de ex-funcionários.

Na decisão, o juiz Márcio Aparecido Guedes determinou a suspensão das ações e execuções contra a empresa, inclusive de credores particulares dos sócios, em relação a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial. O despacho ainda fixou multa diária de R$ 5 mil para credores que descumprirem a ordem de suspensão de atos de constrição.

Foi nomeada como administradora judicial a empresa MP Tecnologia e Perícia Ltda., e a decisão estabelece prazo de 60 dias para apresentação do plano de recuperação judicial.

Os credores têm 15 dias para apresentar habilitações ou divergências quanto aos créditos.

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