O rebaixamento do rio Teles Pires, consequência da operação da Usina Hidrelétrica Colíder, já causa severos prejuízos à pesca e ao turismo na região. A preocupante situação foi debatida em audiência pública na Câmara de Vereadores de Colíder, a pedido do deputado estadual Wilson Santos (PSD). Ribeirinhos e pescadores expressaram suas angústias e perdas devido às falhas estruturais da barragem.
Prejuízos e Falta de Transparência no Rebaixamento do Rio Teles Pires
A escassez de informações claras por parte da Eletrobras e Copel agrava a insatisfação da comunidade, que exige ações urgentes e maior transparência. Em resposta, o Ministério Público Estadual (MP-MT) requisitou uma garantia financeira de R$ 200 milhões para a reparação dos danos. O procurador Gerson Barbosa ressaltou que, apesar do reconhecido potencial hidrelétrico do rio Teles Pires, os aspectos ambientais e sociais foram negligenciados pela Aneel.
Ademais, o MP-MT solicitou à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) uma revisão do licenciamento ambiental. A promotora Grasiella Salina Ferrari informou que, das quatro usinas instaladas no Teles Pires, a de Colíder, mesmo sendo a menor, já provocou a morte de mais de 50 toneladas de peixes, afetando mais de 350 espécies, incluindo as migratórias essenciais ao ecossistema.
O pescador José Malice, conhecido como Zezão, com 26 anos de profissão, lamenta as dificuldades impostas pelo rebaixamento do rio Teles Pires. Ele relata problemas de navegabilidade e a mortandade de peixes, criticando a falta de comunicação da Eletrobras e Copel. Consequentemente, Zezão e outros pescadores buscam compensação e indenização pelos prejuízos acumulados.
Edilaine Farias, empresária ligada à Pesca Teles Pires, também demonstra apreensão. O setor empresarial já enfrenta desafios com leis estaduais, e o problema com a usina intensifica a situação. Ela destaca que os pescadores movimentam outros comércios, como postos de combustíveis e mercados, ampliando o impacto econômico na região.
Luiz Fernando, proprietário da Pousada Tucuna Fischer, confirma o impacto no setor turístico, que tem a pesca esportiva como principal atrativo nacional. A instabilidade e a falta de informações sobre o rebaixamento do rio Teles Pires dificultam o fechamento de pacotes com clientes. Como resultado, a pousada precisou cancelar programações e devolver dinheiro, gerando prejuízos significativos.
A Eletrobras, por meio de Bruno Eustáquio de Carvalho e Jader Fernandes, afirma estar focada no diagnóstico das falhas estruturais e em ações socioambientais. Mais de 70 profissionais atuam na área, e um plano de contingência ambiental foi elaborado. Contudo, o deputado Wilson Santos avalia que a situação agrava os impactos já sofridos pelos pescadores, especialmente com a Lei do Transporte Zero, aguardando decisão do STF.
Finalmente, o deputado enfatiza a importância de proteger os pescadores profissionais, que dependem do rio sem o danificar. Ele defende a coexistência das modalidades de pesca, criticando Mato Grosso por ser o único estado a proibir a pesca profissional. A audiência contou com o apoio de diversas autoridades locais e regionais.
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