A organização criminosa Comando Vermelho mantinha um esquema de raspadihas ilegais batizado de “Raspa Brasil” em Mato Grosso. A operação “Raspadinha do Crime” da Polícia Civil, deflagrada nesta terça-feira (14), desarticulou a distribuição do material, que era feita de forma semelhante ao tráfico de drogas.
O estado foi dividido em “quebradas”, cada uma com um responsável pela distribuição e arrecadação. Dessa forma, a facção replicava sua estrutura para garantir a venda dos bilhetes fraudulentos.
Estrutura de Arrecadação da Raspa Brasil
As investigações revelam uma divisão de lucros rígida: 10% para o comerciante, 10% para o distribuidor e 80% para o Comando Vermelho. Consequentemente, a facção garantia a maior parte dos rendimentos.
Esses valores eram enviados por meio de contas de laranjas. O líder em Mato Grosso, conhecido como “Boré”, que estava no comando, foi preso no Rio de Janeiro no fim de setembro.
Operação Raspadinha do Crime Desarticula Esquema
A “Raspadinha do Crime” cumpriu 111 ordens judiciais e bloqueou cerca de R$ 1,1 milhão. Em apenas seis meses, o esquema de raspadihas ilegais Comando Vermelho movimentou R$ 3 milhões.
Os bilhetes, vendidos a R$ 5,00, prometiam prêmios de até R$ 50 mil. Contudo, os pagamentos raramente ultrapassavam R$ 100,00, de acordo com as apurações. Os pontos de venda eram amplamente divulgados nas redes sociais.
O foco principal da operação é desarticular a cadeia de comando e distribuição do esquema, não os comerciantes. Muitos lojistas, por exemplo, desconheciam a ligação com o crime organizado ou foram coagidos a participar.
O delegado responsável destacou a pressão indireta sobre os comerciantes, que se sentiam obrigados a aderir ao “projeto” da facção. Essa coação se manifestava de forma sutil, mas efetiva.
Embora a operação não vise diretamente os comerciantes, a venda e o armazenamento de produtos não autorizados pela Caixa Econômica Federal configuram contravenção penal. A orientação é para que estabelecimentos com as raspadihas ilegais Comando Vermelho descartem o material e evitem envolvimento futuro. A atividade ilegal servia como importante fonte de arrecadação e lavagem de dinheiro para a facção. Conheça mais sobre fraudes em esquemas de raspadinhas.










