Em uma investigação que destaca a transparência como um dos princípios fundamentais para o governo, revelamos que o Presidente CPMI INSS compra avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda, da qual é sócio‑administrador.
A cifra chama a atenção, uma vez que salta 4,5 vezes em relação aos R$ 330 mil pagos pelo proprietário anterior, três anos antes. Além disso, é importante destacar que a Fazenda Salto Grande Ltda. é uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022, com atividades privadas e regulares.
De acordo com os documentos obtidos, a aeronave EMB‑810D (Seneca III), prefixo PTR‑VD, foi adquirida por Viana em abril de 2025 e quitada seis meses depois. Trata‑se de um modelo bimotor, produzido em 1984 e registrado para voos privados e para transporte de pequeno porte.
Presidente CPMI INSS compra avião
Detalhes da Aquisição do Avião
- Em outubro de 1984, o avião começou a vida útil;
- Em novembro de 1987, foi vendida por 7,1 milhões de cruzados;
- Em outubro de 1993, foi comprada por 6,5 milhões de cruzeiros reais;
- No entanto, em dezembro de 1994, foi transferida para 93 150 cruzeiros reais;
- Em janeiro de 1996, foi vendida por R$ 80 mil;
- Em novembro de 1996, foi adquirida por R$ 60 mil;
- Em maio de 1997, foi vendida por R$ 156,6 mil;
- Em novembro de 1998, foi comprada por R$ 114 mil para ser alugada por R$ 29.988,90 por mês;
- Em junho de 2000, a empresa assumiu a propriedade definitiva após o fim do contrato com pagamento simbólico de R$ 1 e vendeu por R$ 150 mil;
- Em março de 2002, foi transferida por R$ 150 mil;
- Em abril de 2007, foi vendida por R$ 130 mil;
- Em novembro de 2011, foi comprada por R$ 150 mil;
- No período de 2012 a 2019, foi alugada;
- Em setembro de 2022, foi vendida por R$ 330 mil;
- Finalmente, em abril de 2025, Viana comprou a aeronave por R$ 1,5 milhão em nome da fazenda.
Segundo os documentos, a certidão de inteiro teor não esclarece as razões técnicas ou comerciais para que o preço da aeronave mais que quadruplicasse em três anos. O histórico jurídico e os valores declarados nas transações não detalham o estado de conservação ou eventuais melhorias.
À coluna, o piloto Antonio Tadeu da Silva, que vendeu a aeronave para o presidente da CPMI do INSS, atribuiu a valorização à realização de revisões gerais que estariam pendentes há anos, período em que o avião ficou parado por falta de manutenção. Também afirmou que a transação ocorreu por meio de empresas homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e dentro do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), com intermédio de um site de compra e venda e de um corretor.
“Comprei praticamente uma sucata, que virou novamente um avião”, assinalou o piloto, que é sócio‑administrador de uma empresa que aluga aeronaves. Segundo Antonio Tadeu, a revitalização incluiu a compra de peças, a troca de pneus e do painel de instrumentos e a revisão geral dos motores e das hélices, entre outros.
O que diz o presidente da CPMI do INSS? Leia a íntegra da nota de Viana: “A aeronave mencionada foi adquirida de forma regular por pessoa jurídica legalmente constituída, da qual o senador é sócio‑administrador. A Fazenda Salto Grande Ltda. é uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022, com atividades privadas e regulares. As quotas da empresa estão devidamente declaradas no Imposto de Renda.”
Para mais informações sobre a Fazenda Salto Grande Ltda., clique aqui: Fazenda Salto Grande Ltda.
No entanto, é importante destacar que a comparação com a remuneração parlamentar desconsidera rendimentos oriundos de atividades empresariais privadas. A utilização da aeronave está vinculada à atividade privada e à logística operacional da empresa.
Avaliação da transação: “Quanto aos valores mencionados sobre custos de manutenção, tratam‑se de estimativas genéricas que não refletem a realidade operacional da aeronave. Seguimos à disposição para esclarecimentos adicionais.”
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