Produtores de milho de Mato Grosso enfrentam um cenário cada vez mais desafiador. Além do crescimento da produção e dos ganhos de produtividade registrados nos últimos anos, a queda no preço do cereal e o aumento dos custos de produção vêm reduzindo as margens de lucro no campo.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produção estadual saltou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas em 2025/26. Além disso, a área cultivada cresceu de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares, impulsionada principalmente pela evolução da produtividade.
milho de Mato Grosso
Enquanto a produção avançou, os preços seguiram caminho contrário. Após atingir média de R$ 71,14 por saca em 2021, com picos próximos de R$ 80, o milho voltou a ser negociado em patamares próximos de R$ 40 nos últimos anos.
No entanto, em 2026, a média registrada até junho é de R$ 45,31 por saca, valor considerado insuficiente por representantes do setor.
Além disso, o setor aponta que a oscilação de preços preocupa, com o valor chegando a subir de cerca de R$ 30 por saca, alcançou mais de R$ 70 no pico e recuando para patamares inferiores.
Além disso, o COE passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26.
Já o Custo Total da atividade aumentou mais de 50% no período, pressionado principalmente pelos gastos com fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas.
Para o produtor Renato Tozzo, o momento atual é um dos mais difíceis dos últimos anos. Segundo ele, a combinação entre fertilizantes caros, diesel elevado, inflação e incertezas econômicas reduziu drasticamente a rentabilidade das lavouras.
O LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) caiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para apenas R$ 683,18 em 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é ainda menor: apenas R$ 70,96 por hectare, indicando um estreitamento expressivo da margem de lucro do produtor.
O excesso de oferta também contribui para pressionar as cotações. Com safras recordes no Brasil e avanço da colheita da segunda safra, o mercado registra maior disponibilidade do grão. Problemas de armazenagem e gargalos logísticos ampliam a pressão sobre os preços pagos ao produtor, segundo a Aprosoja MT.
Diante desse cenário, o setor alerta que a redução da rentabilidade pode impactar os próximos ciclos produtivos. Com menos recursos em caixa, muitos agricultores tendem a diminuir investimentos em tecnologia, fertilização e manejo. Para os produtores de milho de Mato Grosso, o principal desafio será manter a sustentabilidade econômica da atividade em um ambiente de custos elevados e preços cada vez mais apertados.
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