Menopausa silenciosa: entender a causa e estratégias

Ilustração sobre menopausa silenciosa: impactos no cérebro, memória e sono em mulheres acima de 40.
Imagem sobre menopausa silenciosa destacando fatores que afetam cérebro, sono e bem-estar durante o climatério.
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Por muito tempo, a menopausa foi associada quase exclusivamente às ondas de calor. No entanto, a transição ocorre de forma mais sutil e complexa, com impactos que vão além do sistema reprodutor. Para muitas mulheres acima dos 40, a menopausa acontece de modo silencioso — a menopausa silenciosa — afetando diretamente o cérebro.

Entenda a menopausa silenciosa: impactos no cérebro e no sono

Além disso, a Dra. Fabiana Bersch, ginecologista especialista em menopausa, aponta que a carência de informação leva muitas mulheres a sofrer anos sem relacionar os sintomas à proximidade da fase.

“A grande maioria das mulheres pensa que menopausa é fogacho. Se eu não sinto fogacho, não estou na menopausa”, afirma a Dra. Fabiana Bersch. “Ela começa a perceber tristeza, desânimo e sem vontade de se vestir, de sair de casa ou de se arrumar.”

Esse desconhecimento, portanto, leva a paciente a procurar diferentes especialistas antes de identificar a causa. Muitas recorrem ao psiquiatra para tratar a tristeza e a falta de disposição; quando surgem palpitações, normalmente procuram um cardiologista. Assim, não é raro iniciar antidepressivos ou remédios para dormir sem que a origem seja identificada.

Portanto, um olhar ginecológico atento às alterações hormonais pode identificar a causa e orientar um tratamento adequado, evitando intervenções desnecessárias.

O declínio cognitivo ligado à queda de estrogênio é uma das preocupações mais relevantes. O hormônio protege neurônios e as conexões cerebrais, e sua redução pode alterar memória e raciocínio.

São lapsos do dia a dia: esquecer onde deixou um objeto, perder o fio da conversa ou não conseguir encontrar uma palavra. Embora muitos atribuam isso ao estresse, pode estar relacionado às mudanças hormonais do climatério.

“A queda do estrogênio no cérebro leva a falhas de memória e ao esquecimento; a longo prazo, isso pode predispor à Alzheimer e à demência”, alerta a Dra. Fabiana.

Assim, a menopausa silenciosa pode impactar memória, sono e disposição, mesmo sem fogachos perceptíveis. Na prática clínica, de cada dez pacientes que entram na transição, oito relatam cansaço intenso. Além disso, o estrogênio influencia a distribuição de gordura, e sua queda tende a concentrar gordura abdominal. Em consequência, cresce a vontade de carboidratos e doces, o que dificulta manter a rotina de exercícios e alimentação equilibrada.

Essa transformação também afeta o sono. A redução hormonal altera o descanso, levando a despertares noturnos que dificultam voltar a dormir. Sem sono reparador, há queda na melatonina e no hormônio do crescimento, gerando ansiedade e cansaço diários.

Para lidar com essa realidade, é essencial encarar o climatério como uma fase natural que requer adaptações. Mais do que reposição hormonal quando indicada, hábitos saudáveis — sono, alimentação e prática regular de atividades físicas — são fundamentais.

“Ela não deve ter medo desse processo. O envelhecimento é natural e inevitável; entender o que acontece com o corpo é essencial para atravessar essa transição com qualidade de vida”, afirma a Dra. Fabiana Bersch.

O climatério não representa o fim de uma etapa, mas o início de uma nova fase que pode ser vivida com bem-estar, desde que haja acesso à informação, acompanhamento adequado e cuidados com a saúde física e emocional.

Para aprofundar o tema, leia mais no Portal163: Portal163.

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