Tifanny vetada pela Justiça Desportiva por unanimidade. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (23), revogou a liminar que garantia a participação da atleta em jogos do Osasco nas competições organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) também suspendeu a liminar de primeira instância que autorizava Tifanny Abreu a defender o Osasco na Superliga. Com as duas decisões, a jogadora fica sem condição de jogo.
Tifanny vetada pela Justiça Desportiva: Decisões judiciais e desportivas
O TJRJ fundamentou a suspensão no artigo 217 da Constituição Federal, que exige o esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva antes de o Poder Judiciário analisar questões de disciplina e competições esportivas. O relator considerou que a urgência do calendário esportivo não é suficiente para afastar esse requisito, especialmente porque a atleta já havia submetido a questão à Justiça Desportiva e ainda dispõe de recurso próprio.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol concluiu o julgamento do Mandado de Garantia nº 002/2026, impetrado pela atleta, e, por unanimidade, negou a ordem. A defesa de Tifanny, liderada pelo advogado Luis Fernando Novaes, afirmou que vai entrar com pedido de reavaliação no TJRJ e perseguir os caminhos da Justiça comum.
Tifanny vetada pela Justiça Desportiva: Política de elegibilidade da CBV
Tifanny foi afetada pela decisão da CBV, anunciada em agosto, de adotar a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina. Pela nova regra, as jogadoras deverão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino; a atleta que não comprovar elegibilidade fica impedida de disputar as competições.
Em nota, a CBV reafirma que cumpriu integralmente a decisão anterior enquanto ela esteve em vigor e seguirá cumprindo todas as determinações do poder judiciário e da Justiça Desportiva. A entidade mantém compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas e reitera que sua Política de Elegibilidade é norma geral, aplicável igualmente a todas, alinhada ao COI e à Federação Internacional de Voleibol.
Trajetória e apoio
Tifanny Abreu tem 41 anos, disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. Ela foi a primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro e, desde o anúncio, recebeu apoio de diversas jogadoras e integrantes da comunidade do vôlei. Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira feminina, fez um discurso antes do Pré-Olímpico criticando a decisão da CBV e defendendo a permanência de Tifanny na Superliga.
A Justiça do Rio de Janeiro havia concedido liminar que derrubou a determinação da CBV e autorizou a participação de Tifanny nos jogos contra o Praia Clube, pela Supercopa, na sexta-feira (16/10), e contra o Brasília, pela estreia da Superliga, na segunda-feira (19/10). A medida provisória vigorou até o julgamento na Justiça Desportiva, que começou na manhã de sexta-feira (23).
O Osasco entra em quadra neste sábado, às 16h (de Brasília), em Belo Horizonte, pelo jogo contra o Mackenzie, válido pela segunda rodada da Superliga feminina. O clube segue apoiando Tifanny e o departamento jurídico está alinhado ao advogado da atleta.










