O que antes era uma facilidade para os cuiabanos na obtenção de crédito já não é mais. Portanto, essa dificuldade explica a intenção de consumo Cuiabá. O levantamento da CNC aponta a terceira queda consecutiva do índice, que caiu de 114,1 pontos em maio para 107,7 pontos em agosto, representando uma variação de -5,9%.
intenção de consumo Cuiabá
Com isso, segundo o IPF-MT, a retração não apresentava uma sequência de quedas desde o fim do ano passado; no entanto, a diminuição persiste desde o início do segundo trimestre de 2026. Além disso, a trajetória indica um cenário de cautela entre os consumidores.
Os dados mostram que o percentual de famílias que relatam dificuldade para obter crédito passou de 40,3% em maio para 48% em agosto. Em complemento, isso sugere maior rigidez na avaliação de crédito pelas instituições financeiras e, possivelmente, uma dependência maior do crédito para complementar o orçamento familiar.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), relaciona o resultado ao nível de endividamento das famílias. “O avanço no percentual da percepção de dificuldade para obtenção de financiamentos sugere maior seletividade e rigidez por parte das instituições financeiras na concessão de crédito, fator que corrobora a tese de crescente dependência do endividamento para a complementação do orçamento doméstico”.
Entre as variações que contribuíram para a queda da ICF, destacam-se: Compra a Prazo (-2,6%), Perspectiva Profissional (-2,1%), Renda Atual (-1,4%), Nível de Consumo Atual (-1,2%), Perspectiva de Consumo (-0,7%) e Emprego Atual (-0,5%). No entanto, o subíndice Momento para Duráveis segue em alta, com +0,4%, sinalizando prioridade por investimentos em necessidades domésticas.
Na capital, 48,3% das famílias afirmaram sentir maior segurança no emprego atual quando comparado a agosto do ano passado. Além disso, 52,2% consideram que a renda familiar está em melhores condições do que no mesmo período de 2025.
Apesar da instabilidade momentânea do índice, Sebastião Gonçalves afirmou que a resiliência do subíndice de duráveis e o otimismo de parcela expressiva dos entrevistados sobre renda e emprego indicam que a cautela atual pode ser temporária e terá fundamentos de médio prazo ainda sólidos.
A retração observada em Cuiabá acompanha a tendência nacional. Depois de um período de estabilidade, o índice nacional caiu de 104,0 pontos para 103,9 pontos. Em síntese, o comportamento cauteloso no orçamento familiar não é exclusivo de Cuiabá, mas reflete o cenário mais moderado do mercado de trabalho e da economia no país. Sobre isso, o presidente da Fecomércio-MT destacou que “o recuo observado no mercado cuiabano sintoniza-se parcialmente com o comportamento de cautela orçamentária disseminado em âmbito nacional”.
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