O Grupo Pupin, um dos gigantes do agronegócio mato-grossense e em recuperação judicial desde 2017, acusa um esquema de ter custado parte de seu patrimônio e o controle dos negócios. Portanto, a família alega ter sido vítima de um grave golpe.
Grupo Pupin golpe: o centro da polêmica
No cerne da denúncia está o Grupo Fource, agora conhecido como Midas Agro Investimentos S/A. Este grupo é mencionado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em um caso envolvendo venda de sentenças no Superior Tribunal de Juventus. A investigação ganhou força após um assassinato chocante em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A denúncia de grupo Pupin golpe surgiu através de uma petição judicial em Campo Verde. José Pupin, o renomado “Rei do Algodão”, e sua esposa Vera Lúcia Camargo Pupin buscam a anulação de contratos e da procuração pública que transferiu a administração de seus bens.
A família argumenta que foi levada a assinar compromissos em um momento de extrema vulnerabilidade. Além das dificuldades financeiras da recuperação judicial, José Pupin enfrentou um tratamento contra o câncer entre 2018 e 2020. Concomitantemente, sua esposa já lidava com os efeitos do mal de Parkinson.
Assim, esse cenário fragilizou o núcleo que conduzia a empresa, abrindo espaço para novos “parceiros” que prometiam soluções milagrosas. No entanto, a realidade se mostrou bem diferente.
Em setembro de 2020, representantes do Grupo Fource se aproximaram, prometendo injetar capital e renegociar dívidas. O acordo, inicialmente, parecia ser um caminho para a recuperação. Contudo, ele se desdobrou em um grave problema.
Poucos meses depois, em dezembro de 2020, José Pupin, sua esposa e filhos assinaram uma procuração pública. Esta conferiu aos sócios da Fource poderes irrevogáveis e irretratáveis sobre o grupo. Os representantes da Fource/Midas, portanto, passaram a ter controle total sobre a gestão e alienação dos bens.
A confiança, entretanto, logo se transformou em desconfiança. Conforme os advogados do Grupo Pupin, em vez de quitar dívidas, a Fource/Midas teria assumido o controle do caixa e direcionado recursos para benefício próprio. Ativos foram onerados sem autorização, e operações ocorreram sem transparência.
Além disso, o resultado, segundo a petição, foi o agravamento da crise e um patrimônio dilapidado. Relatórios apresentados pelo Grupo Pupin corroboram parte das suspeitas, apontando a participação da Fource/Midas em assembleias de credores como cessionária de créditos, com direito a voto, enquanto já administrava o Grupo Pupin. Para os autores da ação, trata-se de uma fraude contratual.
Na peça, a família Pupin afirma que acreditava estar garantindo a sobrevivência de seus negócios, mas a parceria se mostrou um golpe. “O que se apresentava como solução revelou-se um engodo”, afirma trecho da petição. Consequentemente, o grupo busca na Justiça anular os contratos e retomar o controle de seu patrimônio.
O histórico do grupo Fource e a venda de sentenças
O caso ganha contornos ainda mais graves pelo histórico do grupo econômico. O CNJ revelou que sócios da Fource aparecem em diálogos relacionados ao esquema de venda de decisões no STJ. A investigação partiu da análise do celular de um advogado assassinado em Cuiabá em 2023.
Na petição, a família Pupin cita a Operação Sisamnes, que apura a compra de decisões judiciais. Entre os investigados estão justamente os procuradores da procuração pública assinada em 2020, Valdoir Slapak e Haroldo Augusto Filho. Por exemplo, conversas extraídas do celular do advogado assassinado mostram o Grupo Pupin sendo mencionado em tratativas suspeitas.
Além das acusações de corrupção e tráfico de influência, notícias recentes apontam ainda para um esquema de lavagem de capitais associado ao grupo. Utilizavam-se empresas de fachada e fundos de investimento para movimentar recursos milionários. Portanto, a gravidade das acusações é substancial.
“Os contratos e a procuração foram utilizados como escudos de fraude”, diz a ação. Eles visavam transferir o patrimônio do Grupo Pupin para terceiros, em prejuízo de credores e da própria função social da empresa. Tudo foi feito às escondidas, sem a devida transparência para com o juízo da recuperação judicial.
Em 31 de julho de 2025, os advogados do Grupo Pupin emitiram uma Notificação Extrajudicial à Midas Agro e à Fource Consultoria. Declararam a rescisão automática dos contratos. As empresas, no entanto, não responderam e continuam gerindo o patrimônio do devedor.
A defesa exige prestação de contas completa e detalhada. Em caso de descumprimento, há uma multa de R$ 1 milhão por dia. A ausência de prestação de contas configura violação aos deveres de boa-fé e transparência.
Por fim, os advogados da família Pupin pedem ao juiz uma série de medidas. Buscam anular os contratos, recuperar o controle do patrimônio e investigar a atuação do grupo. Em resumo, a batalha judicial promete ser intensa.
As medidas incluem a suspensão imediata dos contratos e a proibição de novos atos de venda ou oneração de bens. Pedem também o cancelamento da procuração pública. Além disso, exigem a reversão de atos patrimoniais já feitos e a prestação de contas detalhada. Para mais informações sobre notícias do agronegócio, acesse portal163.com.br.










