Ler um livro por mês pode garantir até dois salários extras a quem trabalha no Grupo Cometa, sediado em Cáceres. Fundada por Francis Maris Cruz, idealizador também do Pantanal Free Shop, primeira loja franca de Mato Grosso, a empresa considera a leitura um dos critérios para distribuir participação nos lucros. Conforme reportagem da Exame, o pagamento também está condicionado às metas e aos resultados da companhia.
O grupo informa faturamento anual de R$ 1,6 bilhão e aproximadamente 1.400 trabalhadores. Para cumprir a exigência, é preciso ler livros de pelo menos 200 páginas e entregar resumos ao RH. A meta anual é de 12 títulos, que totalizem no mínimo 2.400 páginas.
Em funcionamento há cerca de 20 anos, o programa conta com mais de 11 mil livros, entre exemplares físicos e digitais. A empresa destina aproximadamente R$ 65 mil por ano à compra de obras e à manutenção do acervo.
Em entrevista à Exame, Francis relacionou o projeto à preparação de gestores. Trabalhadores da empresa têm preferência nos processos seletivos internos. O CEO Cristinei Rodrigues Melo, por exemplo, ingressou ainda adolescente em funções de apoio e soma cerca de 35 anos de atuação na companhia.
Origem em Mato Grosso
A empresa iniciou suas atividades em 1973, com uma loja de autopeças em Mirassol D’Oeste. De acordo com o memorial da companhia, o estabelecimento recebeu o nome de Autopeças Guadalajara, uma referência ao título brasileiro na Copa do Mundo de 1970.
O nome Cometa foi adotado posteriormente, inspirado no sonho de trabalhar como motorista na empresa paulista de ônibus. Nos primeiros anos, a família também vendia salgados e roupas para ajudar a manter o negócio.
A operação se expandiu para Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Pará, além de Mato Grosso. A companhia comercializa motocicletas Honda e carros das marcas Hyundai e Volkswagen.
Aposta no turismo de compras
Francis também investe no comércio como meio de atrair visitantes e impulsionar a economia regional à frente do Pantanal Free Shop, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O empreendimento recebeu R$ 20 milhões em investimento privado e foi planejado para vender produtos nacionais e estrangeiros sem impostos federais.
Em entrevista exclusiva ao Rdnews, o empresário disse que a proposta é unir as compras aos atrativos turísticos da região e, assim, incentivar os visitantes a permanecer por mais tempo no município.
“O turista de compras terá a oportunidade de fazer um passeio de chalana no Rio Paraguai, conhecer o Pantanal e participar de um safári fotográfico, por exemplo. Ele vai a Cáceres fazer compras e estende o roteiro com essas experiências”, afirmou Francis.
Com informações da Exame e do Grupo Cometa e entrevista ao Rdnews










