Extorsão envolvendo servidor: Operação Laço Oculto

Investigadores durante a operação Laço Oculto, investigando extorsão financeira entre servidoras da SES.
Autoridades trabalham em ação contra extorsão financeira entre servidoras, analisando documentos e ativos.
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Uma servidora da Secretaria Estadual de Saúde e um policial militar são os principais alvos da Operação Laço Oculto, deflagrada nesta terça-feira (21). Eles são acusados de integrarem um esquema que causou prejuízo de R$ 1,1 milhão a uma servidora pública, colega de trabalho. Portando, em meio às investigações, o grupo, que contava com ainda uma pessoa, praticou extorsão envolvendo servidor, com relatos de dívidas com agiotas e ameaças à vítima e aos familiares.

Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros. Além disso, as ordens de bloqueio, direcionadas a três investigados, podem alcançar, somadas, mais de R$ 3,3 milhões.

As diligências, realizadas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, estão sendo cumpridas em endereços de Cuiabá e Várzea Grande. Entre os alvos da operação estão servidores públicos vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e pessoas relacionadas ao fluxo financeiro identificado durante a investigação.

Apesar de não ter envolvimento direto com o caso, a SES colaborou com as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também participa do cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira (21.7).

Conforme apurado no inquérito policial, a vítima, também servidora da SES, teria sido submetida, entre 2022 e 2025, a um contínuo processo de intimidação e manipulação psicológica por parte de uma colega de trabalho, que criou uma narrativa envolvendo supostas dívidas com agiotas e ameaças contra a vítima e seus familiares, passando a exigir pagamentos sucessivos sob o argumento de que os valores seriam destinados à quitação dessas obrigações. A situação gerou intenso medo.

Mantida em permanente estado de medo, a vítima realizou empréstimos, sacou recursos de cartões de crédito, resgate de recursos da previdência privada e utilizou recursos destinados à construção de sua residência. Também foi convencida a financiar, em seu próprio nome, uma caminhonete que seria utilizada por pessoa ligada à principal suspeita.

O esquema só foi interrompido quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional, descobriu o que estava acontecendo e denunciou o caso à polícia.

extorsão envolvendo servidor

Como funcionava o esquema, segundo o inquérito, a colega de trabalho convenceu a vítima de que ambas estavam sendo ameaçadas por agiotas por causa de uma suposta dívida envolvendo outro servidor público. Portanto, a investigada dizia que os criminosos sabiam quem elas eram e poderiam atacar seus familiares caso os pagamentos não fossem realizados. Ao mesmo tempo, apresentava-se como vítima e afirmava que poderia negociar a dívida e protegê-la. Ainda assim, com medo, a vítima passou a transferir dinheiro para a própria colega. Em 2022 a 2025, as cobranças continuaram, sempre com novas ameaças e a alegação de que a dívida e os juros aumentavam.

1) A investigação indicou que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da colega de trabalho. O montante foi comprovado por meio de afastamento judicial do sigilo bancário e pela análise financeira realizada pela Polícia Civil. Em seguida, parte dos recursos foi transferida para outras pessoas vinculadas ao núcleo do esquema.

2) Foram identificadas movimentações incompatíveis com os rendimentos formais, uso de contas de elevada rotatividade, milhares de saques em espécie e possível uso de pessoas “laranjas” para circulação e ocultação patrimonial.

3) As medidas judiciais foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, com manifestação favorável do Ministério Público, autorizando ainda a apreensão de veículos e de outros bens, bem como a extração de dados dos dispositivos apreendidos.

O nome da operação, Laço Oculto, faz referência ao vínculo de medo e dependência psicológica criado para manter a vítima submetida às exigências financeiras, enquanto o dinheiro era transferido entre pessoas ligadas ao esquema. Mais detalhes sobre a operação no portal local.

A Operação Laço Oculto tem como objetivos localizar e recuperar os valores retirados da vítima, além de apreender documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a participação de cada investigado e subsidiar a investigação de eventuais crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro.

Para contextualizar, leia também Divulgação de imagens íntimas: caso de servidor.

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