Adiamento da redistribuição de vagas revolta deputados de MT

Deputados em plenário da Câmara dos Deputados, discutindo redistribuição de vagas.
Atraso na redistribuição de vagas na Câmara dos Deputados frustra expectativas de parlamentares.
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A decisão monocrática do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que adiou a redistribuição de vagas na Câmara dos Deputados para 2030, provocou forte insatisfação entre parlamentares de Mato Grosso. Esses deputados esperavam a ampliação das cadeiras mato-grossenses no Parlamento de 24 para até 30.

Adiamento da redistribuição de vagas frustra deputados de MT

O pedido que motivou a decisão de Fux partiu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o veto do presidente Lula ao projeto de lei que propunha o aumento do número de cadeiras. Para Valdir Barranco (PT), a medida representa um golpe duro para Mato Grosso. O estado deixará de contar com mais dois deputados federais em Brasília, o que, em sua visão, perpetua o privilégio dos grandes estados.

Barranco expressou sua frustração: “Mais uma decisão ruim do ministro Fux, que contraria a decisão coletiva do pleno do STF e que prejudica Mato Grosso e outros que já há muito tempo vêm sendo vilipendiados no direito de nós termos mais cadeiras na Câmara dos Deputados. Eu espero que o Supremo possa votar e derrubar, caçar essa decisão do Fux”.

Por outro lado, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil) defende a estrita observância da Constituição Federal, que estabelece 513 deputados. Ele acredita que a única medida cabível seria a redistribuição das vagas existentes, e não a criação de novas. Dessa forma, a decisão de Fux, em sua avaliação, causa sérios prejuízos ao estado, pois Mato Grosso poderia ter, no mínimo, 9 ou 10 representantes federais, o que ele considera mais justo.

Dal Bosco argumentou: “Nós vamos sair prejudicados, Mato Grosso vai ser prejudicado. Poderíamos ter no mínimo 9 ou 10 representantes federais, e é o que está ali hoje no mais correto, dez deputados federais representando desde que não aumente as cadeiras. Os 513 redistribuídos, e os 10 é direito do Estado”.

Em contraste, os deputados Wilson Santos (PSD) e Juca do Guaraná (MDB) adotaram uma postura de respeito à decisão ministerial. Segundo o pessedista, “não tem mais o que chorar; o leite está derramado, é bola pra frente”. Já o emedebista enfatizou: “A decisão do Supremo ficou para a próxima legislatura. A gente tem que respeitar, eu acho que foi uma decisão sábia também”.

A necessidade de reavaliar a distribuição de cadeiras surgiu após uma decisão do STF em agosto de 2023. Na ocasião, o Tribunal acatou uma ação do Governo do Pará, que apontou omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados conforme as mudanças populacionais, o que é previsto na Constituição. O Pará alega ter direito a quatro deputados adicionais desde 2010, mas o Congresso optou por um novo texto que abria mais cadeiras, em vez de retirar vagas de estados que perderam população.

O texto aprovado previa que nenhum estado perderia deputados, enquanto nove ganhariam: Amazonas (mais 2); Ceará (mais um); Goiás (mais um); Minas Gerais (mais um); Mato Grosso (mais 2); Pará (mais 4); Paraná (mais 1); Rio Grande do Norte (mais 2); Santa Catarina (mais 4). A nova configuração seria aplicada já nas eleições de 2026, alterando a composição da legislatura a partir de 2027, com um total de 531 deputados federais. Para mais informações sobre política regional, acesse nosso portal.

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