O rebaixamento do nível d’água da UHE Colíder e os consequentes riscos foram temas centrais de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A medida, necessária para garantir a segurança da barragem, já causa sérios prejuízos na região.
Riscos da UHE Colíder em debate
A audiência, solicitada pela ALMT e conduzida pelo deputado Wilson Santos (PSD), ocorreu em Colíder e discutiu a mortandade de peixes, impactos na pesca, navegação e no turismo. Portanto, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pode ser aberta já na próxima semana para aprofundar as investigações.
A Eletrobras, responsável pelo empreendimento, tomou a decisão de rebaixar o reservatório após a identificação de falhas em drenos da estrutura. No entanto, o deputado Wilson Santos destacou que nem todos os questionamentos foram respondidos satisfatoriamente, reforçando a necessidade de uma CPI.
“O caso é muito sério”, afirmou o deputado. Ele ressaltou a importância de Mato Grosso não sacrificar o meio ambiente em nome da exportação de energia. A CPI visa apurar e cobrar da Eletrobras o reparo dos danos e o ressarcimento àqueles que sofreram perdas.
Wilson Santos mencionou que a Eletrobras informou que o problema está praticamente sanado, com os cinco pontos de falha já consertados. Contudo, a presença da Eletrobras e Copel em futuras audiências será exigida.
Impactos socioeconômicos em Colíder
O deputado Diego Guimarães endossou a necessidade da CPI, afirmando que as respostas da Eletrobras foram “muito vazias”. Com 12 assinaturas já garantidas, o requerimento será apresentado em breve. Dessa forma, a CPI extinguirá a Câmara Setorial atual e validará as provas para a investigação.
A promotora de Justiça, Graziella Salina Ferrari, confirmou que perícias técnicas apontaram anomalias de segurança e impactos ambientais significativos. Desde 2022, a usina apresentava nível de atenção elevado, chegando ao alerta em 2025 devido a falhas no sistema de drenagem.
O presidente da Câmara Municipal de Colíder, vereador Luciano Miranda (PP), frisou que, embora a usina tenha fomentado a economia regional, o rebaixamento do lago causou prejuízos a proprietários de pousadas, marinas e pesqueiros. Portanto, é crucial encontrar uma saída sustentável.
O prefeito de Colíder, Rodrigo Luiz Benassi, lamentou o impacto no turismo e na arrecadação municipal, estimada em R$ 100 mil mensais para o município e R$ 400 mil para Itaúba. Ainda assim, ele considera correta a priorização da segurança, mas exige compensações e responsabilização da construtora.
O pescador José Malice, o Zezão Pescador, relatou a queda drástica na venda de iscas vivas e a insegurança gerada pelo rebaixamento. Além disso, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Colíder, Agnaldo Afonso Pereira, avaliou o cenário como preocupante para o turismo de pesca e o comércio local.
O empresário Luiz Fernando Alves Galan, dono de pousada, apontou cancelamentos e remarcações de reservas, gerando prejuízos financeiros e incertezas para o futuro. O procurador de Justiça, Gerson Barbosa, enfatizou a importância do princípio da informação e da transparência sobre os riscos ambientais e sociais.
Guimarães concluiu que a responsabilidade pelos prejuízos recai sobre a Copel e a Eletrobras, que deverão assumir os custos. Por fim, diretores da Eletrobras participaram por videoconferência, assegurando o empenho da empresa em resolver a questão o mais rápido possível. Para mais informações, acesse UHE Colíder: Justiça intima Eletrobras e Copel sobre falhas na barragem.










