ALMT debate altos índices de feminicídio em audiência pública

Feminicídios em Mato Grosso: audiência pública discute altos índices
Audiência pública debate feminicídios em Mato Grosso
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou uma audiência pública para debater os altos índices de feminicídio no estado, um problema que afeta o dia a dia das mulheres em Mato Grosso.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso teve a maior taxa proporcional de feminicídios do país em 2024, com 47 mulheres assassinadas por motivação de gênero. Isso leva a uma taxa de 2,5 casos por 100 mil habitantes, a maior do Brasil. Além disso, em 2025 o estado já registrou 37 casos desse crime.

Segundo a delegada Judá Marcondes, titular da Delegacia Especial em Defesa da Mulher de Cuiabá, a situação é mais grave no interior do Estado, onde há menos equipamentos públicos preparados para atender a questão da violência contra a mulher. “Em Cuiabá, a rede de enfrentamento é muito forte. Temos a Polícia Civil, a Polícia Militar com sua Patrulha Maria da Penha, além do Judiciário e do Ministério Público. Estamos todos integrados e atuando fortemente no combate à violência, mas precisamos implementar isso também no interior”, disse.

Além disso, a presidente do Movimento Negro Unificado de Mato Grosso, Isabel Garcia, ressaltou que o acesso aos atendimentos não é igual para todas. “Os serviços de apoio para algumas mulheres chega com muita dificuldade e deveria ser melhor. Até que essas mulheres recebam a informação, procurem um médico ou consigam fazer uma denúncia, o que é muito difícil, o tempo que se perde é imenso. Acredito que o poder público deveria estar mais conectado a essas mulheres, pois o feminicídio está terrível em todos os lugares, mas para mulheres negras e quilombolas, a situação é ainda mais grave”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica da Capital, promotora Claire Vogel Dutra, alertou sobre a importância do acesso aos direitos das mulheres vítimas de violência. “As medidas protetivas salvam vidas. A gente já teve mais de 12 mil medidas protetivas deferidas no ano de 2025. E a gente tem, por exemplo, no ano passado apenas uma vítima de feminicídio com medida protetiva. E até em 2025, dos dados que nós já temos hoje, 37 feminicídios, apenas cinco dessas mulheres tinham a medida protetiva”, destacou.

Por exemplo, a deputada Edna Sampaio anunciou que diversas sugestões dadas na audiência serão encaminhadas ao governo. “Vamos solicitar a criação da uma secretaria de estado de mulheres. Além disso, vamos debater o financiamento do combate ao feminicídio na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e buscar aproximar a UFMT nos debates sobre políticas públicas para mulheres”, continuou.

Em conclusão, a audiência pública foi um momento importante para discutir os altos índices de feminicídio em Mato Grosso. Além disso, a deputada Edna Sampaio se comprometeu a atender a demanda de inclusão de mulheres trans e indígenas nas políticas de forma específica e a incluir os direitos humanos das mulheres no currículo das escolas.

Portanto, é importante que a sociedade civil continue pressionando o governo para que sejam implementadas políticas eficazes para combater a violência contra as mulheres. Leia Também: Mato Grosso: 52 feminicídios em 2025

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