Tarifa nos EUA: Sindifrigo descarta demissões em MT

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A confirmação de tarifas de 50% sobre a carne brasileira nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, impactará o mercado, pois 12% do volume exportado vai para lá. No entanto, o setor em Mato Grosso deve se reorganizar para mitigar os efeitos negativos.

Sem demissões, mas com férias coletivas

Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo-MT, avalia que não haverá demissões nos frigoríficos por causa da taxação americana. Ele acredita que, no máximo, poderão ocorrer férias coletivas em Mato Grosso, apenas pelo tempo necessário para ajustar a oferta e a procura.

“Creio que não haverá demissões de colaboradores nos frigoríficos em decorrência da taxação americana. No caso de Mato Grosso, poderão ocorrer, são férias coletivas, mas somente no período necessário para equilíbrio entre oferta e procura, nada além disso”, afirma Bellincanta.

Setor já se preparava para a taxação

O setor frigorífico já vinha buscando alternativas para os reflexos da política de taxação de Trump, que foi anunciada há algum tempo. Bellincanta ressalta que 12% do volume de exportação é um número expressivo para ser ajustado rapidamente.

“O grande problema é que 12% de volume de exportação, no atual momento do mercado, é um número muito elevado para o preço ser ajustado em pouco tempo”, destaca o presidente do Sindifrigo-MT, ao falar sobre a busca por novos mercados.

Expectativa de pressão do mercado americano

O presidente do Sindifrigo-MT aposta que os americanos sentirão o aumento do preço da carne, o que pode gerar pressão do mercado interno dos EUA em favor do Brasil. Essa situação traz esperança de negociação futura para a taxa.

“Então, lá na frente, temos alguma esperança de negociarmos esta taxa”, projeta Bellincanta.

Exportações em Mato Grosso

No primeiro semestre de 2025, Mato Grosso exportou 371,7 mil toneladas de carnes bovina, suína e de aves, um aumento de 5,46% em relação ao mesmo período de 2024. O setor gera cerca de 30 mil empregos diretos e quase 100 mil indiretos.

O segmento de carne bovina registrou a exportação de 307,4 mil toneladas, alta de 6,1%. A China foi o principal destino, com 48% do volume, seguida por Estados Unidos, Chile, Rússia e Egito.

As exportações de carne suína cresceram 12,5%, passando de 13,7 mil para 15,5 mil toneladas. Os principais compradores foram Filipinas, China, Hong Kong, Vietnã e Albânia.

Já as exportações de carne de aves tiveram leve retração de 0,62% no volume, mas mantiveram bom faturamento, com destaque para Arábia Saudita, China e Japão.

EUA representam pequena parcela das exportações totais de MT

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os Estados Unidos representaram apenas 1,1% das exportações totais de Mato Grosso no primeiro semestre de 2025. Esse percentual inclui outros produtos como soja, milho e algodão.

Tarifaço americano

Donald Trump excluiu cerca de 700 produtos das tarifas, como suco de laranja, aeronaves civis e fertilizantes. Por outro lado, setores como café, carne bovina e frutas foram fortemente taxados. As exceções representam 43% do valor total das exportações brasileiras para os EUA.

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