Anestesia para Tatuagem: CFM Proíbe Procedimento

Tamanho do texto
Ajuste a leitura da página. Suas preferências ficam salvas.
100%
Ouça esta notícia
Clique em Ouvir. Você pode ajustar a velocidade.

Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso de qualquer tipo de anestesia na realização de tatuagens, sem exceção.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União, impede que médicos apliquem tanto anestesia geral quanto local, e até mesmo sedação.

O que muda?

A medida só permite o uso de anestesia em casos muito específicos, como tatuagens com indicação médica para reconstrução. Um exemplo citado é a pigmentação da aréola mamária após cirurgias de retirada de mama em pacientes com câncer.

Mesmo nessas situações, o procedimento deve ocorrer em locais com infraestrutura adequada, com avaliação pré-anestésica, monitoramento e equipe treinada para emergências.

Por que a proibição?

Segundo o conselheiro Diogo Sampaio, relator da medida, o aumento da participação de médicos em procedimentos de tatuagem, especialmente com sedação profunda ou anestesia geral, é preocupante.

“A participação médica nesses contextos, especialmente envolvendo sedação profunda ou anestesia geral para a realização de tatuagens, configura um cenário preocupante, pois não existe evidência clara de segurança dos pacientes e à saúde pública.”

Ele explica que a prática eleva o risco de absorção de pigmentos, metais pesados e outros componentes das tintas pelo corpo.

“Ao viabilizar a execução de tatuagens de grande extensão corporal, que seriam intoleráveis sem suporte anestésico, a prática eleva demasiadamente o risco de absorção sistêmica dos pigmentos, metais pesados (cádmio, níquel, chumbo e cromo) e outros componentes das tintas.”

Sampaio ainda ressalta que qualquer ato anestésico tem riscos e que o uso para tatuagens sem finalidade terapêutica não justifica a relação risco-benefício. Ele também aponta que estúdios de tatuagem não oferecem os requisitos de segurança necessários para anestesia.

Apoio da Sociedade de Anestesiologia

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) apoiou a decisão do CFM. Em nota, a entidade destacou que o uso de técnicas anestésicas, mesmo em casos estéticos, envolve riscos que pedem preparo, ambiente e protocolos de segurança rigorosos.

A SBA reforça a importância da avaliação pré-anestésica, do consentimento informado do paciente e de um ambiente preparado para complicações.

Compartilhe :

Veja mais