Xavantes Exigem Saída de Coordenador do DSEI Xavante
Indígenas Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso, liderados pelo cacique Damião Paridzané, demandam a revogação da nomeação de Crisanto Rudzö Tseremey´wa como coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante. A portaria foi publicada em 10 de julho.
Em comunicado, a etnia acusa o secretário de Saúde Indígena, Ricardo Weibe Tapéba, de desrespeitar a indicação das lideranças e aponta ingerência política do PT e partidarização das questões indígenas.
Indicação Democrática Ignorada
Uma assembleia geral realizada em 25 de outubro de 2024 reuniu caciques das nove Terras Indígenas Xavante para indicar o nome para a coordenação do DSEI. Sérgio Tseredzatsu Abhö´ödi foi eleito com oito votos, contra quatro de Crisanto Rudzö Tseremey´wa. A decisão foi registrada em ata, com o apoio do então presidente do Conselho Distrital, Edmundo Dzu´aiwi Õmore.
Apesar da decisão majoritária, um grupo tentou articular a indicação de Crisanto em reunião restrita, mas a iniciativa foi rejeitada pela maioria das lideranças. O secretário Ricardo Weibe Tapéba também teria visitado aldeias para tentar reverter a decisão, segundo o comunicado.
“Durante a visita, o Secretário usou termos partidários (PT) que não condizem com a cultura Xavante, o que causou grande descontentamento, embora respeitemos os partidos”, afirma o comunicado.
Partidarização e Críticas à Gestão
Os caciques ressaltam que o DSEI Xavante é essencial para atendimentos médicos e vacinação. Eles afirmam que a porta para esses serviços está sendo fechada pela política partidária e interesses de grupos externos.
“A indicação legítima e unânime do nosso irmão Sérgio Tseredzatsu Abhö´ödi foi ignorada pelo secretário de Saúde Indígena, Ricardo Weibe Tapeba”, denuncia o documento. “Essa ingerência política tem causado indignação e divisão entre os Xavante. Até o nosso cacique geral, Damião Paridzané, expressou sua revolta, dizendo que a SESAI, usada pelo Governo Federal, tenta manipular lideranças e criar conflitos dentro do próprio povo Xavante”.
Viagem a Brasília e Falta de Qualificação
Após a visita de Ricardo Weibe Tapéba, os caciques viajaram a Brasília para exigir respeito à decisão da assembleia. Segundo eles, o secretário prometeu encaminhar o nome de Sérgio à Casa Civil, mas enviou o nome de Crisanto, a quem consideram com restrições judiciais e sem qualificação técnica adequada para a função administrativa.
“Nós, povos Xavante das nove T.I.s, junto ao Cacique Geral Damião Paridzané, apelamos por respeito. Exigimos que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, revogue imediatamente a portaria de 10 de julho de 2025 que nomeia Crisanto, contrariando a vontade da maioria e ameaçando a unidade do nosso povo”, conclui o comunicado.
Posição da SESAI
A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) informou que o cargo de coordenador do DSEI é de livre nomeação do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, a nomeação de Crisanto baseia-se em seu perfil técnico e capacidade de diálogo com as comunidades.
A SESAI também afirmou que o nome defendido pelo cacique Damião era de um colaborador já lotado no DSEI, sem perspectivas de mudança no modelo de gestão atual, que apresenta “altas em indicadores importantes como o de mortalidade infantil, indícios de irresponsabilidades e problemas graves de gestão”. A secretaria disse estar oferecendo suporte ao DSEI com uma força-tarefa e plano de apoio.









