Chefe de gabinete, genro de Novelli teria recebido mais de R$ 1 mi, aponta PF

José Carlos Novelli
Toni Ribeiro / TCE
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Vitor Turri Romano, genro do conselheiro afastado José Carlos Novelli, chefiava o gabinete de uma comissão permanente presidida por ele. Relatório da Polícia Federal aponta que Romano teria recebido mais de R$ 1 milhão em valores ilegais. A Informação consta do documento que embasou a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29). Vitor e Novelli estão entre os alvos.

Novelli foi afastado cautelarmente e está sujeito a restrições: não pode acessar o Tribunal, manter contato com investigados e testemunhas, deixar o país nem movimentar patrimônio.

Conforme detalha decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Alencar e Valter Albano teriam recebido, somados, mais de R$ 34,3 milhões nos valores examinados pela PF. Os quatro foram afastados cautelarmente.

Conforme o documento, o genro de Novelli e um assessor passaram a receber valores em lotes que também continham ordens bancárias vinculadas ao conselheiro. O membro do Pleno da Corte de Contas teria recebido R$ 8,8 milhões; desse total, R$ 7,3 milhões teriam sido pagos por 78 ordens bancárias avulsas.

O documento indica que, em setembro de 2025, Vitor Turri Romano começou a receber parcelas de cerca de R$ 120 mil, transmitidas nos mesmos lotes de ordens do sogro. A suspeita é que ele estivesse entre os beneficiários dos pagamentos investigados e integrasse um grupo de servidores da estrutura que recebia recursos pelos mecanismos questionados.

Embora não haja elementos que o relacionem diretamente à realização de saques em espécie ou à circulação do dinheiro, a investigação identificou sua presença entre os destinatários e sua permanência na estrutura funcional do TCE. Esses fatores levaram à aplicação de medidas cautelares também contra ele.

Outro suspeito de ligação com o suposto esquema é Márcio Antônio Silvério, assessor técnico-jurídico de Novelli e marido de uma prima do conselheiro. De acordo com a PF, até agosto de 2025 ele recebia apenas parcelas fixas de R$ 11 mil pagas por fornecedores. A partir de setembro daquele ano, passou a receber valores de aproximadamente R$ 100 mil a R$ 120 mil nos mesmos lotes bancários de Novelli e Turri.

“A coincidência temporal e operacional é o principal elemento indiciário, devendo ser esclarecido se a sua conta servia como conta de passagem de valores destinados a Novelli”, aponta o relatório. “A documentação apresentada indica pagamentos recebidos em contexto semelhante ao identificado em relação a outros integrantes do núcleo vinculado a Novelli”, acrescenta.

Mesmo que os valores supostamente recebidos fossem inferiores aos de outros núcleos, a coincidência no período dos pagamentos e o uso de veículo familiar com Novelli poderiam apontar para a possibilidade de o fluxo financeiro continuar por meio de pessoas próximas à família do conselheiro. “Diante disso, a sua inserção nos fluxos financeiros investigados e sua vinculação funcional e pessoal com outros investigados justificam a adoção das medidas cautelares postuladas”, conclui o documento.

Investigação

O caso faz parte de uma apuração mais ampla sobre pagamentos suspeitos no TCE-MT. A investigação examina suspeitas de uso de ordens bancárias avulsas e de canais de fornecedores para transferir recursos fora dos procedimentos ordinários.

O ministro Og Fernandes impôs as medidas cautelares para resguardar a produção de provas, evitar interferências na investigação e prevenir eventual ocultação ou dispersão de patrimônio. As suspeitas ainda precisam ser apuradas.

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