Suspensão da UE desafia exportações de carne bovina

Exportações de carne bovina: suspensão da UE impacta Mato Grosso e novos destinos
Exportações de carne bovina exigem novos destinos e ajustes logísticos para manter valor
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A suspensão das exportações de carne bovina para a União Europeia (UE) entrou em vigor nesta quinta-feira (3). O Mato Grosso precisa planejar já ações para buscar novos destinos, conforme alerta do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A situação exige adaptação rápida para manter a competitividade no mercado internacional, sobretudo diante da demanda global por proteína animal de alta qualidade.

Além disso, embora represente parcela pequena do comércio externo do estado, o produto tem alto valor agregado. Dados compilados pelo Imea, de janeiro a julho de 2026, mostram que o bloco europeu respondeu por 3,43% do volume de exportações de carne bovina, com 20,37 mil toneladas TEC, porém representou 4,65% da receita, com US$ 130,51 milhões. Dados recentes ressaltam a importância de acompanhar a evolução desses mercados, já que mudanças de percepção de qualidade afetam os preços. Exportação de carne bovina: China freia compras e Carne bovina mato-grossense: Europa paga mais pela carne.

exportações de carne bovina: novos caminhos

No primeiro semestre, o preço médio pago pela UE foi de US$ 6.407,87 por tonelada, cerca de 34,7% acima dos US$ 4.756,10 pagos pela China, principal destino da carne bovina mato-grossense em volume. Em seguida, a expectativa é de que haja ajustes de preço mais lentos, mantendo o cenário favorável para quem atende aos padrões europeus. Além disso, as exportações de carne bovina exigem atenção às especificações técnicas e logísticas para evitar perdas de valor.

Para o superintendente do Imea e da Famato, Cleiton Gauer, essa suspensão da UE atinge principalmente pecuaristas que se prepararam para atender exigências específicas. “Num estado exportador, perder essa oportunidade, um mercado que remunera muito bem, é realmente um estalo relevante, principalmente por um perfil de produção que atende as qualificações para o mercado europeu”, afirma.

Cleiton avalia que o principal desafio agora é encontrar destinos capazes de absorver essa carne sem uma perda significativa de valor. “O desafio realmente é os frigoríficos conseguirem encaixar isso em outros mercados. A gente tem uma discussão muito grande sobre a Coreia do Sul, para conseguir colocar esse produto na sequência, mas é um mercado que precisa ser aberto. E o desafio realmente é conseguir encaixar todas as conjunturas sem perder esse valor”, destaca.

Segundo ele, a definição sobre para onde essa carne será direcionada depende principalmente da estratégia comercial dos frigoríficos. Além disso, para o setor produtivo, o trabalho passa pela articulação com o Mapa para ampliar o acesso a novos destinos, além da construção de condições logísticas e parcerias comerciais. “Como setor, a gente não tem uma definição muito grande do que o frigorífico vai conseguir recolocar; é muito mais um posicionamento que eles vão precisar trabalhar com os mercados comerciais”, afirma.

A suspensão também pode provocar algum impacto sobre os preços pagos ao produtor, mas, segundo Cleiton, a pressão sobre a arroba dependeria de outros fatores que hoje têm peso maior sobre o mercado pecuário. Pode haver uma reação momentânea, especialmente entre os produtores que atendem às especificações do mercado europeu e recebem prêmio, mas o comportamento da arroba no longo prazo continuará sendo influenciado pelo ciclo pecuário.

No grupo de Mato Grosso mais afetado pela suspensão da UE estão os pecuaristas que investem em protocolos e controles específicos para acessar mercados de maior remuneração. Segundo o superintendente da Famato/Imea, esses produtores podem enfrentar maior dificuldade para encontrar compradores dispostos a pagar o mesmo prêmio. Além disso, entre os pontos que estão no centro das exigências da União Europeia está a comprovação da não utilização de determinados antimicrobianos na produção.

Cleiton afirma que o desafio não está apenas na adequação dentro da propriedade, mas na capacidade do setor em apresentar documentação que comprove o cumprimento das regras. “É realmente uma estrutura de complexidade para que a gente consiga apresentar os documentos comprobatórios, demonstrar que a produção é livre desse tipo de produto. E é um processo não só por parte do produtor, mas um processo da cadeia como um todo e, principalmente, do Mapa”, explica.

Ainda assim, apesar da suspensão, a expectativa do setor é de que o mercado europeu possa ser retomado no curto ou médio prazo, justamente pela importância econômica que possui para um segmento específico da pecuária. “A expectativa do mercado realmente é que isso retorne no curto/médio prazo, principalmente porque é um mercado que acaba sendo mais remunerador e também atende um perfil específico de produção pecuária, não só do Mato Grosso, mas do Brasil como um todo”, finalizou.

Resumo: impacto para pecuaristas com protocolos europeus; Coreia do Sul como destino em estudo; desafios logísticos e de documentação com o Mapa.

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