Portanto, o agronegócio mato-grossense evoluiu de uma produção baseada em tentativas e erros para um sistema orientado por dados, com o mapeamento de lavouras via satélite ganhando espaço nas decisões.
No passado, em Sorriso, a década de 1980 marcou um cenário com pouca informação sobre clima, solo e manejo. O médico Carlos Gilberto Frison relembra as dificuldades, lembrando que o arroz era a base, mas as culturas se mostravam imprevisíveis.
À medida que as safras evoluíram, máquinas, sistemas e previsões meteorológicas passaram a gerar informações úteis. Agora, sensores, imagens de satélite e algoritmos ajudam a identificar lavouras, acompanhar o uso da terra e orientar decisões com mais precisão.
O pesquisador Carlos Antonio da Silva Júnior, da Unemat em Sinop, já desenvolvia, em 2012, um algoritmo para mapear lavouras de soja por imagens de satélite. Em 2015, nasceu o SojaMaps, projeto que reúne pesquisas sobre mapeamento e monitoramento da soja em diferentes safras.
Os sensores dos satélites captam a radiação eletromagnética refletida pela superfície, e pesquisadores aplicam estatísticas, árvores de decisão e machine learning para estimar a probabilidade de cada pixel ser soja. A validação atingiu 98,5% de acurácia, com mais de 5 mil pontos amostrais.
Segundo Lucas Beber, presidente da Aprosoja-MT, o uso de imagens de satélite permite identificar áreas com menor desenvolvimento e comparar com as regiões mais produtivas. Assim, as informações ajudam o produtor a agir com maior assertividade.
MAPEAMENTO DE LAVOURAS VIA SATÉLITE
Essa visão de mapeamento de lavouras via satélite amplia a capacidade de enxergar a propriedade como um sistema integrado, unindo dados com a experiência no campo.
A transformação tecnológica, porém, não teve início com satélites. Ela começou na pesquisa para adaptar a soja às condições do estado, com genética, calagem e plantio direto, abrindo caminho para o uso mais preciso da informação.
Beber também destaca que o avanço ajuda a definir calendários de semeadura e colheita, abrindo espaço para a segunda safra de milho e aumentando a integração entre culturas.
Além disso, a tecnologia pode contribuir para sustentabilidade: reduzir desperdícios, rastrear a origem da produção e orientar manejo do solo. Jéssica Gimenes, criadora do Pequi Innovation Hub, aponta que incubadoras ajudam a levar pesquisas ao mercado próximo das lavouras.
Na prática, no entanto, a tecnologia não substitui o trabalho humano nem a fiscalização dos órgãos ambientais. Nathalia Cordeiro Magalhães, de Sorriso, usa monitoramento via SpectraX para regularização ambiental e envia alertas quando há áreas que precisam ser regeneradas.
Da pesquisa ao campo, o estado precisa fortalecer a capacidade de desenvolver tecnologias agro. O Centro Tecnológico em Campo Novo do Parecis (Ctecno Parecis) realiza pesquisas sobre solos arenosos, com manejo diferenciado, para manter o ritmo de inovação.
Carlos Antonio, que moveu mapeamento para o setor privado, criou a SpectraX em 2024, oferecendo ferramentas de monitoramento baseadas em imagens de satélite para o agro.
Entre dois tempos, cidade e campo caminham juntos: o hub de inovação em Sinop aproxima profissionais urbanos das oportunidades do campo, enquanto produtores se conectam a universidades e empresas. Assim, o agro de Mato Grosso segue caminhos ainda mais verdes.
Para entender como essas inovações afetam a vida cotidiana, leia mais no Portal163.










