Melhorando o tratamento: cirurgia micrográfica de Mohs

Cirurgia micrográfica de Mohs em prática: remoção em camadas com exame microscópico
A cirurgia micrográfica de Mohs analisa margens em tempo real, preservando tecido saudável e reduzindo retrabalhos.
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Em um país onde o câncer de pele é o tumor mais frequente, a busca por tratamentos cada vez mais precisos torna-se tão importante quanto o diagnóstico precoce da doença. Além disso, na cirurgia micrográfica de Mohs, a técnica mais precisa para os tipos mais comuns de câncer de pele, o diagnóstico em tempo real orienta decisões ainda durante o procedimento.

Para saber mais, acesse Portal 163.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Além disso, os cânceres de pele não melanoma continuam liderando as estatísticas nacionais. Já o melanoma, embora menos frequente, permanece como o tipo mais agressivo da doença por conta da sua maior capacidade de disseminação para outros órgãos.

cirurgia micrográfica de Mohs

Na prática, o cirurgião remove o tumor em camadas finas. Cada fragmento é processado, mapeado e examinado ao microscópio; enquanto o paciente permanece no centro, é possível identificar exatamente onde ainda existem células tumorais. Se houver foco residual, apenas a área correspondente é removida. O processo se repete até que as margens estejam livres da doença.

Na cirurgia convencional, o tecido retirado é encaminhado ao laboratório e apenas amostras representativas das margens são analisadas. Já na técnica micrográfica, praticamente toda a periferia e a profundidade da peça cirúrgica são examinadas. Assim, reduz-se de forma significativa a possibilidade de células tumorais passarem despercebidas e diminui a necessidade de novas intervenções.

Preserva tecido saudável, especialmente em regiões faciais delicadas.

Reduz a necessidade de novas cirurgias.

Melhora resultados funcionais e estéticos.

Estudos internacionais demonstram que a cirurgia micrográfica de Mohs pode preservar entre 46% e 86% mais tecido saudável do que as margens convencionais utilizadas em determinados tumores faciais, resultando em reconstruções menores e melhores resultados.

Mas talvez o aspecto mais relevante dessa conduta seja a mudança de paradigma. Durante décadas, o diagnóstico e o tratamento foram etapas separadas; hoje, o microscópio atua como extensão do ato cirúrgico, permitindo decisões rápidas, precisas e seguras. Portanto, essa integração beneficia diretamente o paciente.

Essa união entre cirurgiões e patologistas reduz a chance de permanência de células tumorais, diminui a necessidade de novas cirurgias e preserva o máximo possível de tecido saudável, tornando o tratamento mais eficiente do ponto de vista oncológico, funcional e estético. Além disso, os avanços estão também na prática clínica diária.

Naturalmente, nenhum avanço tecnológico substitui os cuidados básicos. O uso diário de protetor solar, a proteção contra a radiação ultravioleta e a avaliação médica diante de manchas ou lesões suspeitas continuam sendo fundamentais. Alterações de tamanho, cor, formato ou bordas devem sempre ser investigadas. Entretanto, os progressos na luta contra o câncer de pele ocorrem também com maior precisão no tratamento.

Se durante muito tempo a medicina precisou aguardar pelo resultado final, hoje o microscópio já responde a essa pergunta enquanto a cirurgia ainda acontece. E quando cada milímetro de pele preservada e cada célula tumoral eliminada faz diferença, esse retorno imediato deixa de ser apenas um marco tecnológico para se tornar um avanço humano. Carlos Aburad é médico patologista.

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