Violência sexual no campus: uma questão inaceitável ## Criar meta_description validada

Estudantes da UFMT enfrentam situação complicada após lista de estupráveis
Estudantes da UFMT enfrentam situação complicada após lista de estupráveis
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O Centro Acadêmico de Direito da UFMT, campus Cuiabá, revelou nessa terça-feira (5) que acadêmicos de Direito e de outros cursos estavam elaborando uma lista de alunas ‘estupráveis’. Segundo comunicado nas redes sociais, circulam em aplicativos de mensagens registros de conversas em que estudantes queriam classificar calouras como mais ou menos “dignas de serem estupradas”.

Também havia manifestações explícitas de alunos com a intenção de ‘’molestar’’ as colegas de sala.

“Em um claro ato de descaso e normalização da violência, as mensagens foram divulgadas e rapidamente se espalharam pela comunidade acadêmica. Fica evidente que a conduta, extremamente grave, de caráter misógino e violento, é absolutamente incompatível com qualquer parâmetro ético, jurídico e humano”, diz trecho da nota.

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O Cadi destacou que tais atitudes não podem ser consideradas como ‘’brincadeiras’’’nem relativizadas. “Configuram a banalização da violência sexual e objetificação de mulheres, reforçando uma cultura que historicamente legitima práticas de violência de gênero”.

A nota citou o contexto de insegurança no campus, com relatos de assédio e o caso de Solange Aparecido Sobrinho, estuprada e morta dentro da UFMT no ano passado.

“Diante disso, não há qualquer margem para banalização de casos de estupro, assédio, importunação ou qualquer forma de violência contra mulheres. Esse tipo de conduta precisa ser enfrentado com seriedade, responsabilidade e posicionamento firme, justamente para impedir que episódios dessa natureza continuem se repetindo”, destaca.

O Centro Acadêmico afirmou que acompanhará o caso junto às autoridades para garantir medidas que protejam os estudantes. 

OAB emite nota de repúdio

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) divulgou nota de repúdio após as mensagens virem à tona. Para a Ordem, a lista é “uma postura de violência”.

“Essa postura além de expor universitárias a toda essa violência, que no dia a dia atinge de forma ostensiva às mulheres, não condiz com aqueles que optam pela missão de ser um agente do Sistema de Justiça. Com o sentimento de consternação, a OAB-MT requer da UFMT a devida apuração dos fatos e celeridade na responsabilização dos envolvidos”, diz publicação.

A entidade se solidarizou com as estudantes e se colocou à disposição para apoio.

UFMT se pronuncia

A Universidade Federal de Mato Grosso instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), nesta quarta-feira (6), que vai investigar alunos do curso de direito, campus Cuiabá, acusados de envolvimento na criação e divulgação de uma lista que classificava estudantes ingressas na instituição como “estupráveis”. A ação pretende apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos. 

“A Universidade Federal de Mato Grosso repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica”, diz trecho.

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