Tentativa de feminicídio desclassificada: TJMT anula condenação de advogado

Advogado em tribunal, com foco na decisão de desclassificação de tentativa de feminicídio.
TJMT reclassifica caso, anulando condenação inicial de 10 anos em tentativa de feminicídio.
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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu que o caso envolvendo o advogado Nauder Junior Alves Andrade e sua namorada não configura tentativa de feminicídio desclassificada. A Primeira Câmara Criminal anulou, por unanimidade, a condenação do advogado, que inicialmente pegaria 10 anos de prisão em regime fechado.

Tentativa de feminicídio desclassificada por desistência

Nauder foi acusado de agredir a namorada com socos, chutes e uma barra de ferro em agosto de 2023, após a recusa dela em manter relações sexuais. A vítima, uma engenheira de 29 anos, chegou a pedir socorro em uma guarita de condomínio. No entanto, a defesa apresentou dados médicos que indicavam lesões sem risco de morte. Portanto, argumentou-se que o crime se tratava de lesão corporal e não de tentativa de homicídio qualificado.

A defesa sustentou, e a Câmara acatou, que o advogado interrompeu voluntariamente as agressões, permitindo que a vítima se afastasse. Desse modo, o requisito da tentativa, previsto no Código Penal, ficou afastado.

O relator do caso, desembargador Wesley Sanchez Lacerda, destacou que o relato da vítima indicou que Nauder cessou a violência por iniciativa própria. Consequentemente, isso difere de circunstâncias externas que poderiam impedir a consumação do crime, como a fuga da vítima ou a intervenção de terceiros. Essa desistência voluntária foi crucial para a decisão.

Os exames periciais corroboraram a alegação, apontando múltiplas lesões, porém sem risco de vida. Assim, a condenação pelo júri popular foi considerada contrária às provas. A decisão original de tentativa de feminicídio não se sustentou.

Em suma, a condenação de 10 anos foi anulada e Nauder deverá passar por um novo julgamento em Cuiabá. A Primeira Câmara Criminal, composta pelos desembargadores Orlando Perri e Marcos Machado, seguiu o entendimento do relator. Além disso, o TJMT ordenou a expedição imediata de alvará de soltura, com medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica. Portanto, o descumprimento dessas medidas pode levar à nova prisão.

A vítima será notificada pessoalmente ou por seu advogado, em conformidade com a Lei Maria da Penha. Para mais informações sobre decisões judiciais na região, consulte nossas notícias.

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