O ex-governador e ex-ministro da Agricultura, Blairo Borges Maggi (PP), avaliou que a redução das tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil foi motivada pela crescente inflação no país.
Maggi, que esteve recentemente nos Estados Unidos, explicou que a alta dos preços de diversos produtos, principalmente alimentícios, estava gerando desgaste ao governo norte-americano. Portanto, ele não crê que a medida tenha sido para ajudar o Brasil diretamente.
“A inflação lá, de fato pegou, e pegou na alimentação, aonde o Brasil fornece bastante coisas para eles. E essa redução na tarifa, não creio que Trump fez para ajudar o Brasil não, fez para agradar a população interna dele que está com a inflação bastante alta”, disse.
Redução das Tarifas: Um Reflexo Interno
Para o ex-ministro da Agricultura, a recente aproximação dos presidentes do Brasil e Estados Unidos é positiva. No entanto, ele acredita que essa proximidade colaborou pouco com a decisão de Trump em implementar a redução das tarifas sobre produtos brasileiros, como café e carne.
Além disso, Maggi ressaltou que a diplomacia é essencial, mas a causa principal foi a realidade econômica dos EUA. A população americana estava pagando preços elevados, o que pressionou o governo a buscar soluções.
“Não desmerecendo absolutamente ninguém, a diplomacia tem que entrar em campo a todo momento que se faz necessário. Agora, não tenho dúvida nenhuma de que deficiência ou alta dos preços que aconteceu nos Estados Unidos fez com que o governo americano olhasse e dissesse que a coisa está um pouco errada. A população está pagando um preço que não deveria estar pagando”, acrescentou.
Entenda a Medida e seus Impactos
Na última sexta-feira (14), Donald Trump assinou uma ordem executiva que efetivamente reduz as tarifas sobre carne bovina, tomates, café e bananas, entre outras importações agrícolas. A medida entrou em vigor retroativamente a quinta-feira, 13.
No documento, o republicano justificou a decisão “após considerar as informações e recomendações que me foram fornecidas por autoridades, o andamento das negociações com diversos parceiros comerciais, a demanda interna atual por certos produtos e a capacidade interna atual de produção de certos produtos”.
Contudo, a ordem assinada por Trump exclui as mercadorias das taxas tarifárias “recíprocas”, anunciadas em abril, que variam de 10% a 50%. Por exemplo, o Brasil, principal fornecedor de café para os EUA, enfrenta tarifas de 50% desde agosto. Em setembro, os consumidores americanos pagaram quase 20% a mais pelo café em comparação com o ano anterior, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor, demonstrando o impacto da redução das tarifas que já estava em pauta.
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