ANGELA JORDÃO
DA REDAÇÃO
A assessora do ex-secretário de Estado Pedro Nadaf, Karla Cecília de Oliveira Cintra, não conseguiu ter seu passaporte liberado pela Justiça de Mato Grosso. Karla foi condenada, no âmbito da operação Sodoma, pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro a 3 anos, 8 meses e 20 dias de prisão.
Karla também firmou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
A decisão de não devolver o passaporte é da juíza Alethea Assunção Santos, 7ª Vara Criminal de Cuiabá, publicada em 06 de março no Diário Eletrônico de Justiça. Foi a terceira vez que Karla tentou a liberação do passaporte, sob o argumento de que assentiu com todas as obrigações assumidas em seu acordo de colaboração premida.
A juíza, no entanto, observou que “embora a colaboradora tenha cumprido parcialmente o acordo, verifica-se que a apreensão do passaporte está intrinsecamente vinculada à necessidade de assegurar a presença da colaboradora em eventual participação nos procedimentos em curso, conforme apontado pelo Ministério Público, que deu parecer contrário a entrega do passaporte”.
Alethea Assunção Santos também destaca que apreensão do passaporte não decorreu da colaboração premiada, mas anteriormente, durante a busca e apreensão realizada em sua residência durante a operação Sodoma. “Considerando que a apreensão não decorreu da colaboração premiada anteriormente homologada, é certo que o mero cumprimento das condições, por si só, não é suficiente para a restituição do documento apreendido. Desse modo, levando em conta que ainda remanesce a necessidade de assegurar a participação da colaboradora na instrução penal em curso, indefiro o pedido”, finaliza a juíza.
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Operação Sodoma
A primeira fase da operação Sodoma foi deflagrada em setembro de 2015, quando foram presos o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, e os ex-secretários de estado, Marcel de Cursi e Pedro Nadaf. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), os crimes de corrupção de lavagem de dinheiro passava por três etapas: fraude na concessão de benefícios fiscais, pagamento de propina e lavagem do dinheiro arrecadado ilegalmente.
O esquema começou em 2011, segundo o MP, quando o empresário, sócio-proprietário de um grupo de três empresas, obteve inclusão no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), o sistema de benefícios fiscais mantido pelo estado a empresas que fomentem a economia local.
Karla, assessora de extrema confiança de Pedro Nadaf, que também foi diretora da Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio-MT) quando Nadaf era presidente da entidade, tinha como função dentro do esquema promover a lavagem do dinheiro recebido por Nadaf, ciente de que estava ajudando o grupo criminoso. Ela chegou a figurar como sócia na empresa que se prestava a lavar dinheiro para Pedro Nadaf; permitiu que vários imóveis pertencentes de Nadaf fossem colocados em seu nome; era a emissora das notas fiscais falsas que mensalmente justificavam o pagamento de propina por parte do empresário envolvido no esquema.
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