O tratamento do autismo exige uma abordagem individualizada e multidisciplinar, como destacou a psiquiatra Audrey Ribeiro durante o projeto “TJMT Inclusivo” em Cáceres. A palestra abordou conceitos fundamentais sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), seus níveis de suporte e as possibilidades terapêuticas.
Compreendendo o TEA e os níveis de suporte
A médica explicou que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento com desafios na comunicação e interação social. Ele é chamado de espectro justamente porque se manifesta de diferentes formas e intensidades, variando conforme o indivíduo.
Portanto, o espectro divide-se em três níveis de suporte, baseados na necessidade de apoio diário. O primeiro abrange pessoas que funcionam bem em muitos contextos, mas necessitam de auxílio em situações específicas, principalmente em mudanças de rotina. O segundo nível exige suporte substancial, pois a comunicação tende a ser mais comprometida, com frases curtas e repetitivas.
Já o terceiro nível de suporte, por sua vez, requer apoio muito substancial, inclusive para tarefas básicas. A comunicação pode ser limitada ou não verbal, acompanhada de forte inflexibilidade e risco de autoagressão, evidenciando a complexidade do tratamento do autismo.
Comorbidades e desafios associados
Na maioria dos casos, o autismo vem acompanhado de outras condições de saúde. Estudos indicam que cerca de 70% das pessoas no espectro apresentam ao menos uma comorbidade psiquiátrica, e 40% têm duas ou mais. Entre as mais comuns estão ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo.
Além disso, são comuns dificuldades alimentares relacionadas a sensibilidades sensoriais. Essas condições agravam os desafios cotidianos e afetam a qualidade de vida, portanto, precisam ser reconhecidas para um cuidado integral. A atenção a estas comorbidades é parte crucial do tratamento do autismo.
Caminhos terapêuticos e inclusão
O tratamento não medicamentoso é a base inicial para o acompanhamento de pessoas com TEA, sempre ajustado às necessidades de cada indivíduo. Dentre as terapias importantes, destacam-se a fonoaudiologia, a terapia ocupacional e a psicoterapia, especialmente a cognitivo-comportamental. Adicionalmente, práticas como psicopedagogia, análise do comportamento aplicada (ABA) e até equoterapia promovem avanços significativos.
Embora não exista um medicamento específico para o autismo, fármacos podem ser utilizados para tratar sintomas associados. Assim, medicamentos podem ser prescritos para casos de irritabilidade, agressividade ou dificuldades graves de sono. No entanto, a decisão deve ser sempre individualizada e acompanhada por profissionais especializados.
A inclusão escolar também foi abordada, com o objetivo de adaptar a escola às necessidades do estudante, e não o contrário. Na vida adulta, os desafios continuam, pois entrevistas de emprego e ambientes de trabalho pouco flexíveis podem limitar oportunidades. Por exemplo, a sociedade tem papel crucial na construção de espaços mais inclusivos, potencializando habilidades, não apenas normalizando.
Encerrando sua participação, a médica avaliou a importância do Poder Judiciário em promover debates e respeito à neurodiversidade. Eventos como este, promovidos pelo TJMT, ajudam a lançar luz sobre diferentes vertentes do tema e a trazer mais consciência à sociedade, contribuindo para a integração efetiva de pessoas neurodivergentes. Você pode encontrar mais informações sobre iniciativas de inclusão em nosso portal.
A 4ª edição do projeto “TJMT Inclusivo” foi promovida pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores. A iniciativa reuniu diversos setores da sociedade, consolidando-se como um evento de grande impacto social e jurídico para toda a região. Novas comarcas-polo receberão o projeto ainda este ano.










