A saúde mental do trabalhador ganha destaque com o Setembro Amarelo, campanha global de prevenção ao suicídio. Instituído pela OMS, o dia 10 de setembro reforça a necessidade de cuidados com o bem-estar psicológico. Portanto, o mês serve como alerta para uma questão cada vez mais presente no ambiente corporativo.
Aumento de Afastamentos por Saúde Mental
Dados recentes revelam um cenário preocupante no Brasil. Entre 2022 e 2024, os afastamentos por incapacidade temporária devido a adoecimento mental no trabalho mais que dobraram. Por exemplo, os benefícios previdenciários saltaram de 201 mil para 472 mil, um acréscimo de 134%. Esse aumento expressivo indica um desequilíbrio crescente.
As principais causas desses afastamentos incluem estresse (28,6%) e ansiedade (27,4%). Além disso, episódios depressivos representaram 25,1% dos casos relacionados ao trabalho. Quando consideramos afastamentos em geral, os números para depressão e ansiedade também são alarmantes.
Setores Mais Afetados pela Questão da Saúde Mental
Certos setores econômicos apresentaram um crescimento notável nos afastamentos por problemas de saúde mental do trabalhador. Destacam-se, por exemplo, bancos múltiplos, hipermercados e supermercados, bem como atividades de atendimento hospitalar. Essas áreas parecem enfrentar desafios específicos.
Fatores que Impactam o Bem-Estar no Trabalho
Diversos fatores contribuem para o adoecimento mental no ambiente laboral. Metas inatingíveis, salários desproporcionais e críticas humilhantes são exemplos de gatilhos. Ademais, sobrecarga de trabalho, excesso de horas extras e a violação do direito à desconexão também impactam negativamente.
É fundamental que empregadores reconheçam a importância de um meio ambiente de trabalho saudável. Afinal, o desequilíbrio nesses fatores acarreta sérias consequências para os colaboradores. Consequentemente, a empresa e a sociedade como um todo colhem os benefícios de um ambiente mais equilibrado.
A atualização da Norma Regulamentadora n.º 1, em vigor desde maio de 2025, é um passo importante. Ela exige a inclusão da avaliação de riscos psicossociais na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho. Consequentemente, fatores como assédio moral e carga mental excessiva serão oficialmente considerados.
Embora a preocupação com a saúde mental do trabalhador deva ser contínua, o Setembro Amarelo intensifica o debate. É essencial ir além da prevenção de riscos, promovendo a proteção e o apoio a quem enfrenta essas dificuldades. Assim, garantimos um mercado de trabalho mais inclusivo e humano.
Carla Reita Faria Leal e Chrislayne Karine Ferreira Lopes Morandi são membros do Grupo de Pesquisa sobre o meio ambiente de trabalho da UFMT, o GPMAT.








