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O delegado federal Tiago Pacheco, chefe da segunda fase da operação Rustius, revela a existência de indícios de que a chapa liderada pelo prefeito Alei Fernandes (União) teria utilizado laranjas e triangulação, através de candidatos a vereador, para supostamente pulverizar recursos de caixa 2 em sua campanha vitoriosa nas eleições do ano passado. Alei foi eleito após obter 51,33% dos votos válidos.
“Os indícios apontam que um candidato, utilizando uma empresa, teria realizado um empréstimo de valor superior ao teto permitido para utilização na campanha e esse valor teria sido pulverizado em quantias menores e enviados para contas de laranja de realizarem doações oficiais”, revela o delegado, numa referência a inquérito que tem entre os investigados o prefeito Alei e seu vice Acácio Ambrosini (Republicanos) – assista vídeo
Procurada, a defesa do prefeito, patrocinada pelo advogado Rodrigo Cyrineu, rechaça as acusações e garante a inocência de Alei e Acácio.
Investigação começou após, às vésperas da eleição, um apoiador de Alei ser flagrado com R$ 300 mil. À época, recursos foram apreendidos. Na operação de hoje foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em duas empresas e uma residência para subsidiar às investigações. Até agora, 17 pessoas foram formalmente indiciadas no inquérito.
Segundo o delegado, elementos colhidos durante a investigação apontam que o limite de gastos para a campanha eleitoral, estabelecido na legislação, teria sido ultrapassado na campanha do candidato a prefeito e que, por isso, foi necessária a utilização de artifícios para a não-computação destes gastos extras.
“O valor excedente teria sido utilizado em serviços não contabilizados ou em serviços contabilizados na prestação de contas de campanha de vereadores, uma vez que diversos cabos eleitorais que prestaram serviço para a campanha do candidato a prefeito foram declarados na prestação de contas de candidatos a vereador, fazendo um esquema de triangulação, na qual o valor era recebido pela campanha do candidato a vereador, mas era utilizado pela campanha do candidato a prefeito, de modo a burlar o sistema de fiscalização e de controle eleitoral”, frisa Tiago Pacheco.
Ainda segundo o delegado, responsável pelas investigações, alguns cabos eleitorais teriam sido pagos com dinheiro em espécie, assim como empresas pesquisas teriam prestado serviços não contabilizados. “Pessoas jurídicas teriam sido utilizadas nas doações ilegais. Dessa forma, teria ocorrido abuso do poder econômico na disputa eleitoral na cidade”.
AIJE
Ação acontece às vésperas da realização de audiência de instrução de Ação de Investigação Eleitoral (AIJE) contra o prefeito Alei Fernandes e seu vice para apurar suposto abuso de poder econômico, caixa 2 e compra de votos nas eleições de 2024. Ação reúne as representações eleitorais propostas pelo Ministério Público e também pelo candidato derrotado Leandro Damiani (MDB).
Testemunhas podem ser ouvidas nesta sexta (23), mas há um pedido para que audiência seja adiada em razão da complexidade do caso. Inquérito conta com mais de nove mil páginas. Desde o começo, a chapa capitaneada por Alei nega as acusações.
Caso Alei e o vice sejam condenados, poderão ter os mandatos cassados.
Caso
A investigação começou após a prisão de Nei Francio, em 03 de outubro do ano passado. Ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal no km 754, da BR-163, em Sorriso. Conforme boletim de ocorrência, o cabo eleitoral não obedeceu aos avisos luminosos e sonoros da viatura policial. Após parar o veículo, os agentes realizaram busca pelo veículo e encontraram uma caixa de papelão com R$ 300 mil em espécie. Questionado, Nei Francio não soube informar a origem do dinheiro.
“Considerando que Nei não soube comprovar a origem do dinheiro; Considerando que Nei é apoiador da campanha eleitoral do atual prefeito da cidade de Sorriso, tendo, inclusive, no veículo adesivo de apoio, que seu filho realizou doação de alto valor para a campanha eleitoral; Considerando o período eleitoral; a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil e, em seguida, para a Polícia Federal, que apreendeu o valor em espécie e o aparelho celular de Nei, para realização de investigação”, diz trecho do registro policial.
SORRISO PF aponta utilização de laranjas e triangulação para pulverizar suposto caixa 2 da campanha de Alei – vídeo PF aponta utilização de laranjas e triangulação para pulverizar suposto caixa 2 da campanha de Alei – vídeo Pulverização de suposto caixa 2 teria sido feito também através de candidatos a vereador









