Operação Heritage: impactos e desdobramentos no MT

Operação Heritage: viaturas da PF em condomínio de luxo com acesso controlado.
Policiais em atuação durante a Operação Heritage em condomínio de luxo, com acesso controlado.
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O ex-governador e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), é um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada nesta quinta-feira (6) pela Polícia Federal. Além disso, agentes cumprem mandado de busca e apreensão na residência do ex-governador, à procura de documentos, celulares e registros que possam esclarecer o fluxo de recursos envolvidos no acordo entre entes públicos e a empresa de telecomunicações. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal para cumprir as medidas cautelares, amplia o foco sobre a origem de valores e a movimentação financeira observada nos últimos anos, e visa esclarecer se houve desvio de verbas públicas ou uso indevido de informações privilegiadas. Além de Mauro Mendes, as equipes pretendem mapear possíveis vínculos entre firmas de advocacia, pessoas físicas e empresas ligadas ao caso. O objetivo é reunir evidências que permitam entender o papel de cada parte na defesa de interesses públicos e privados. Além disso, há uma linha de investigação que aponta para a necessidade de avaliar o impacto social das decisões tomadas em termos de investimentos, fornecimento de serviços e contratos com o governo.

Além dele, o escritório de advocacia que teve o atual desembargador Ricardo Almeida – empossado no Judiciário em novembro de 2025 pelo Quinto Constitucional da OAB-MT – também está entre os alvos da Polícia Federal. A PF não confirmou nomes adicionais ao longo do dia, mas informou que as diligências visam detalhar o envolvimento de terceiros no esquema e esclarecer o papel de cada parte.

Policiais também estão na sede da Procuradoria Geral do Estado (PGE), na rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251).

Imagens recebidas pelo Midiajur mostram viaturas policiais num condomínio de luxo na Capital. Moradores relatam que a movimentação ocorreu pela manhã e que o acesso foi controlado pelas equipes, sem danos ao prédio.

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O desembargador Ricardo Almeida afirmou, por meio da assessoria, que o mandado está sendo cumprido em seu antigo escritório e não em endereços pessoais. Ele ainda aguarda tomar conhecimento do teor das investigações para se posicionar publicamente.

A Procuradoria Geral do Estado relatou que está colaborando com as autoridades. “Confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido. Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido”, diz nota da PGE. A nota ressalta que a instituição respeita o curso normal das apurações e colabora com o trabalho da PF.

O ex-governador Mauro Mendes ainda não se posicionou. Não houve qualquer pronunciamento até o momento.

Operação Heritage: impactos e desdobramentos

A Operação Heritage leva o foco para crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro em um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo do Estado e a empresa de telecomunicações. A apuração avalia se houve favorecimento indevido, criação de estruturas para ocultar a origem de recursos e outras irregularidades ligadas aos contratos.

Policiais federais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Além disso, estão sendo cumpridas medidas de afastamento de sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, além de proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.

As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o estado de Mato Grosso e a empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de disputa tributária. Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.

Para mais detalhes, acesse a cobertura no portal: Operação Heritage.

25 mandados de busca e apreensão

Estados: Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará

Medidas: afastamento de sigilos, bloqueio e indisponibilidade de bens até ~R$ 316 milhões

Origem: acordo entre MT e a Oi envolvendo restituição de valores

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