Esquema raspadinha influenciadores: O golpe financeiro revelado

Influenciadores divulgando bilhetes de raspadinha, parte de um esquema criminoso.
A divulgação por influenciadores mascarava o esquema de raspadinha.
Tamanho do texto
Ajuste a leitura da página. Suas preferências ficam salvas.
100%
Ouça esta notícia
Clique em Ouvir. Você pode ajustar a velocidade.

Um complexo esquema de raspadinha para influenciadores, orquestrado por uma facção criminosa e com mais de 80% dos lucros destinados a atividades ilícitas, foi desarticulado na Operação Raspadinha do Crime. Inicialmente, o plano envolvia a comercialização dos bilhetes em mais de 20 cidades mato-grossenses.

Desmantelamento do esquema

A Polícia Civil de Mato Grosso, através da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em colaboração com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), foi responsável pela investigação. Consequentemente, as apurações revelaram a existência de núcleos regionais, onde integrantes da facção, conhecidos como “irmãos”, gerenciavam pontos de venda identificados como “quebradas”. Ademais, parte dos envolvidos atuava como influenciadores digitais e pequenos empreendedores, promovendo os jogos em redes sociais. Dessa forma, propagavam a falsa ideia de uma ação promocional legítima.

Funcionamento dos jogos de azar

Para a sustentação da atividade ilícita, alguns membros desempenhavam funções cruciais. Eles eram responsáveis pela distribuição dos bilhetes e pela arrecadação dos valores. Portanto, o controle contábil e a remessa dos lucros ao núcleo superior também estavam sob sua responsabilidade. A divisão dos lucros era rígida: 10% para o distribuidor local (“irmão da quebrada”), 10% para o comerciante revendedor e, crucialmente, 80% eram repassados ao núcleo financeiro da facção. Os valores, após o fechamento mensal, eram enviados para contas “laranja”. Além disso, os “irmãos” tinham a função de intimidar comerciantes e aplicar a “disciplina” da facção em caso de descumprimento de normas. Dessa maneira, os núcleos regionais e locais garantiam a capilaridade e a lucratividade da estrutura criminosa.

Divulgação massiva do projeto

A “Raspa Brasil” teve sua primeira publicação oficial em 23 de março de 2025, via Instagram, com rápido crescimento no interior do estado. Para tal expansão, a facção utilizava influenciadores digitais, incluindo menores de idade, para divulgar os bilhetes. Esses influenciadores criavam uma narrativa de normalidade, sorte e êxito financeiro. Por exemplo, diversos jovens com grande número de seguidores foram cooptados para divulgar vídeos de supostos prêmios, normalizando a prática. Comerciantes e donos de bares também auxiliavam na divulgação e expansão do produto em todo o estado. Uma jovem influencer, em especial, se identificava como “representante” do projeto. Assim, ela gravava dezenas de vídeos, associando sua imagem à iniciativa e reduzindo a percepção de ilicitude. Essa estratégia mascarava o vínculo com o crime organizado, ampliando a aceitação social. Em suma, convertia o mecanismo de financiamento da facção em uma suposta ação promocional legítima. Para mais detalhes sobre operações de combate ao crime em Mato Grosso, acesse Polícia Civil desarticula máquina de lavagem de dinheiro e apreende veículos de luxo em Sinop.

Distribuição das raspadinhas e premiações falsas

As remessas de raspadinhas eram enviadas por transportadoras comuns, com notas de carga simuladas para disfarçar o conteúdo. A unidade era vendida a R$ 5, prometendo prêmios de até R$ 50 mil. No entanto, o pagamento de prêmios ocorria via QR Code, direcionando os ganhadores a um contato de WhatsApp para o resgate. Apesar das promessas, investigações e apreensões não identificaram nenhum prêmio superior a R$ 100. Portanto, o esquema de jogos de azar para influenciadores não entregava o prometido.

Compartilhe :

Veja mais